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Caminho sem volta
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Marcelo de Andrade*

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Um ouvinte de uma rádio AM de São Paulo reclamava certa manhã de que fora assaltado a dois quilômetros de um pedágio localizado em uma das rodovias estaduais paulistas privatizadas no ano passado. O alvo da sua indignação não era o larápio que aliviara o conteúdo da sua carteira (afinal ele fez o que se espera de um bandido), mas a atitude insensível dos funcionários da concessionária, que sugeriram a ele que pedisse esmola a outros motoristas para prosseguir viagem, uma vez que não existia retorno no trecho próximo à cancela.

Desconheço se o apelo do ouvinte, desta vez transmitido pelas ondas do rádio, comoveu os ouvidos dos agentes da concessionária. Mas fico pensando cá com os meus botões o que seria dele se não tivesse um celular para buscar socorro naquela situação crítica. Já ouvi casos também de pessoas que se salvaram de seqüestros-relâmpago porque conseguiram acionar a polícia de dentro do porta-malas com ajuda dos seus nokias, gradientes ou samsungs.

Há quatro anos, apenas 600 mil brasileiros tinham celular. Hoje este número ultrapassa os 12 milhões. O que antes era luxo virou gênero de primeira necessidade. O mesmo aconteceu com a Internet. Surgiu como uma fonte de entretenimento supérflua e se transformou rapidamente numa ferramenta de comunicação imprescindível. Um dos nossos colegas de trabalho, por exemplo, mandou um e-mail à companhia energética solicitando a poda de uns galhos atrevidos que ameaçavam os cabos da rua. E a empresa atendeu prontamente. Um espanto.

Mas o melhor ainda está por vir. Os maiores conglomerados de telecomunicação do mundo estão investindo pesado na união da telefonia móvel com a Internet. Já imaginou o que isto significa? O usuário de um aparelho dotado de tecnologia WAP poderá trocar mensagens, acessar páginas, prestar e contratar serviços, fazer aplicações e compras a partir de qualquer ponto da área de cobertura da operadora, sem necessidade de um microcomputador. "O que se viu de rápida evolução nestes 12 últimos meses é muito pouco, perto do que acontecerá nos próximos anos". A previsão, feita recentemente à revista Computerworld, é do presidente da Algar Telecom Leste, Carlos Henrique Moreira.

Dos altos executivos às crianças na escola, todos só falam na Internet. E quando esta nova geração, que praticamente já nasce com um mouse na mão, tiver poder de compra, as relações comerciais mudarão de tal forma que será praticamente impossível ficar de fora da comunidade virtual. Somente quem estiver adaptado aos novos tempos sobreviverá.


* Marcelo de Andrade é jornalista pós-graduado em Comunicação Social pela Faculdade Cásper Líbero.


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