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| Ano V - Nº 75 - Outubro de 2003 - 2ª Quinzena |
Os "gatos" na Internet
Marcelo de Andrade* |
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"Gato" é uma gíria muito em voga na atualidade. Quem joga dominó ou gosta de futebol conhece o termo. Significa fraude. Dois destes felinos rondaram a redação do Jornal do Site Odonto nos últimos tempos. A porta de entrada: a Internet. No ano passado, chegou até o conhecimento da redação uma mensagem alertando para o suposto potencial carcinogênico de um ingrediente utilizado em cremes dentais. O texto citava como fonte uma funcionária de uma universidade norte-americana e teria sido repassado por uma outra pessoa ligada a uma instituição de ensino brasileira. Nosso desconfiômetro disparou. Aí tinha coisa. Como mandam as regras do bom jornalismo, investigamos a veracidade da informação. Checamos primeiro se a denúncia procedia. Os especialistas consultados, todos pesquisadores de renome, desconheciam evidências na literatura dos malefícios alegados no e-mail. Os fabricantes de creme dental também apresentaram declarações de órgãos respeitáveis descartando os perigos citados. Depois, consultamos a instituição de onde partiu a mensagem com destino às caixas postais brasileiras. A universidade norte-americana informou que a funcionária não tinha interesse nenhum em propagar mensagens alarmistas, apenas encaminhou para alguns amigos íntimos um e-mail anterior sobre as nefastas conseqüências do uso do referido ingrediente por tempo prolongado. A instituição também não soube informar de onde teria partido a mensagem original e se a denúncia tinha fundamento. A funcionária da instituição brasileira ficou surpresa, pois o seu nome foi incluído na mensagem à sua revelia, só para dar um tom de credibilidade. Uma farsa, enfim. O "gato" voltou a miar há poucos dias na redação. Recebemos outra mensagem, desta vez atacando os chicletes que usam "neurotóxicos legalizados" como aspartame e fenilalamina. Novamente, o desconfiômetro da redação tocou um longo apito. Pedimos mais informações ao suposto autor da mensagem, que até o momento não nos respondeu. Nenhum dos especialistas consultados confirmou a veracidade científica da informação. No máximo, afirmaram que os ingredientes merecem investigação. Mas nada conclusivo. Estes dois episódios mostram o potencial negativo da rede. É claro que as mazelas propagadas pela Internet ainda são infinitamente inferiores aos benefícios que este poderoso instrumento de comunicação e interação social está proporcionando. Sem ele, a Telemedicina, por exemplo, ainda seria um sonho, quando já é uma realidade em alguns centros cirúrgicos. Como os felinos domésticos da vida real, estes "gatos" só vão procriar se encontrarem sombra, comida e água fresca na Internet. Nós, da redação, recomendamos que você instale urgentemente um desconfiômetro pertinho do seu computador. É muito barato e não polui ** Marcelo de
Andrade é jornalista pós-graduado em Comunicação Social pela Faculdade Cásper
Líbero. |