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AnoV - Nº 78 - Dezembro de 2003 -1ª quinzena
 

Gene "mardito"

Maurício Cintrão

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  Os cientistas do Imperial College, de Londres, são meus heróis. Acabaram de descobrir um gene que seria o responsável pela obesidade. Portanto, agora eu tenho respaldo científico.
Sou gordo por determinação da natureza. Não é culpa minha! Não se trata de sem-vergonhice! Uhuuuu!

De acordo com o estudo publicado na Biblioteca Pública de Ciência Biológica, um gene promove o aumento na produção de uma substância que estimula o apetite. Deram até um nome meio sem gosto para o "mardito": GAD2.


Não entendo nada de biologia, muito menos de genética. Por isso, não sei qual o significado da sigla adotada. Fico imaginando. Deve ser Grande Apetite Descontrolado, 2, A Missão. Ou Gordo Ataca Desesperado, nível 2. Pode ser, ainda, Gostoso é Atolar no Doce, 2 vezes.

O meu gene deve ser primo dele. Mas eu engordo demais para ter apenas um GAD2 básico. Pela minha voracidade, deve ser o GAD10. E o desgramado é ator. Tomo remédio, faço regime e nada. Continuo engordando. Deve ser o Gene Hackman. Vai ter gene metido lá longe!

O fato é que eu me sinto uma outra pessoa. Agora já posso enfrentar orgulhoso os garotões de barriga de tanquinho. A minha barriga é de pedra de cachoeira, tá?!. Tem a mesma
função e é 100% ecológica. Não preciso de corridas, complexos vitamínicos, nem musculação em academias. Não é um charme?

A notícia veio em boa hora, pois o verão está chegando e não terei mais complexos em desfilar com este corpinho de dirigível pelas praias do Litoral Norte. Pode ser até que aprenda a pegar umas ondas. Se olharem muito vou logo falando, todo-todo: eu tenho GAD2!.

Adeus antigos apelidos! Adeus Chico Bóia, Rolha de Poço, Geléia Assassina, Chupeta de Baleia. Agora eu sou o Gadinho, o coroa fashion das praias paulistas.

Portanto, meninas, não se acanhem. Se estiverem interessadas em um homem-objeto-da-ciência, escrevam para mim. Tenho 1,78 de altura, moreno, cabelos e olhos castanhos, 120 quilos e sou o máximo em genética. Se souberem cozinhar, eu prefiro. Porque, de todos os antigos apelidos, um eu não abandono: Alegria de Cozinheira.


*Maurício Cintrão - jornalista e cronista
E-mail:
cintrao@uol.com.br

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