![]() |
![]() |
| AnoVI - Nº 90 - Setembro de 2004 |
|
|
Com cheiro de massinha não dá! |
|
|
Todo mundo tem algum fetiche. E quando falo isso não quero dizer que todos somos tarados. Não, nada disso! Até porque o fetiche não é um fenômeno coletivo. Todos podemos curtir o mesmo objeto do desejo, mas o curtimos intimamente, quase que em segredo. Portanto, não somos todos tarados. Cada um é tarado por conta própria. Já ganhou fama, por exemplo, meu especial interesse por mulheres com mãos e pés bem feitos. Se forem coroas, então, ai! Tenho um amigo que sonha com orientais e sua feito vitrô de sauna. Outro que não pode ver uma gordinha que arrepia feito gato assustado. Há aquele que perde o fôlego diante de mamas avantajadas. Algumas amigas minhas deliram com um bumbum masculino redondinho, ou com coxas musculosas. E eu estou citando apenas exemplos de fetiches moderados. Há casos mais sérios. Dizem que certa moça deixou de ir à feira-livre para evitar mal-estar diante de certas bancas de legumes. Fala-se do sujeito que desmaiava quando recolhia as roupas suadas dos atletas de um clube. E de uma senhora que quase implorou para ser detida só para ficar pertinho de um policial fardado. Mas o Marcelo de Andrade, do Jornal do Site, outro dia me contou de um caso espetacular. Um doido que tem verdadeira tara por cadeiras de dentista. É verdade, deu na imprensa. Deve ser norte-americano porque só mesmo um país onde acontece campeonato de cusparada à distância para gerar esse tipo de maluco. Imagine a cena. O CD pede licença para atender ao telefone. Quando volta, dá de cara com o paciente todo paramentado, com sugador dependurado e boca mole de anestesia, abraçado à poltrona. E beijando o encosto de cabeça!!!! Vocês me desculpem o preconceito, mas eita fetiche besta! Eu acho que não conseguiria sentir nada em um consultório. O nada aí, vale destacar, é nada mesmo. Nem tomando sopa de barbatana de tubarão ou comendo viagra como se fosse jujuba. Lembro de uma vez, há muito tempo, em que fui a um consultório dentário no centro de São Paulo, por conta de uma dor de dente de fazer ver estrelinhas. A CD era jovem, bonita e roliça. Leia-se roliça como cheia de curvas acentuadas. Pois ela ocupava o meu braço com parte do seu relevo enquanto me examinava. Se não fizesse assim, não enxergaria os dentes. Até hoje lembro com certo destempero essa experiência terrível. Me sentia como a personagem principal do filme Laranja Mecânica. Para conter seus ímpetos sexuais, fizeram com que ele assistisse a filmes pornôs por horas e horas seguidas, com prendedores nas pálpebras para que não fechasse os olhos. Ganhou nojo pela coisa. Não cheguei a tanto. Continuo achando as moças roliças extremamente interessantes. Com relevos acentuados, então, ai, ai, ai. Só não podem usar avental branco. E se estiverem em consultório dentário, imagino que são irmãs do Fernandinho Beira-Mar. Isso alivia a tensão. E não me deixa enjoar porque aí seria frescura demais, né? *Maurício Cintrão - jornalista e cronista
e escreve semanalmente para o Jornal do Site Odonto |