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| AnoVI - Nº 91 - Outubro de 2004 |
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Mitos e
Piadas
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Tenho brincado muito com os CDs e parece falta de respeito. Brinco com o senso comum, com aquela idéia geral equivocada que se tem a respeito de determinadas profissões. A Professora Elaine mostrou bem o que é esse entender coletivo no artigo "O dentista no imaginário popular", publicado aqui mesmo no Jornal do Site. Ora, tirando bombeiro e carteiro, quase todo o profissional tem lá seu quinhão no inferno das imagens negativas. Por exemplo, o político. Há um mito de que todo político é corrupto. Besteira, ou acabaria a corrupção por falta de recursos. O advogado é outro. Seria o cara que cobra os olhos da cara para provar que você tem os olhos na cara. Conheço um monte de causídicos mais duros do que eu. E os consultores? Seriam aqueles que passam horas querendo saber como é o seu negócio para depois dizer que você não está fazendo direito aquilo que sabe fazer. Idiotice, eles não perderiam tanto tempo por tão pouco dinheiro. Ora, dei toda essa volta para mostrar que a piada mais engraçada é aquela que lida com o negativo, com o senso comum a respeito do drama de determinado evento, de um povo, de um grupos de pessoas ou de uma situação. Um sujeito que leva um tombo é muito mais engraçado do que aquele que apenas caminha. O jornalismo segue essa lógica. É notícia o homem que mordeu o cachorro. O inverso não interessa a ninguém. Mas eu fiquei preocupado porque tenho recebido alguns sinais de que nem sempre as piadas agradam. Por isso, prometo que vou mudar a temática. Vou me esforçar e logo sairei do lugar comum, que explora a imagem negativa para fazer humor. Pelo menos, pretendo dar uma amenizada antes de voltar ao consultório da Dra. Nice, minha CD. Ou vou acabar virando almofada de costureira no próximo tratamento de canal (brincadeirinha, calma, amigo...). Aliás, a Dra. Nice, minha CD, é um exemplo de como não vejo os dentistas com preconceito. Só não gosto de ir visitá-la, apesar dela ser super eficaz como profissional e uma pessoa especial, doce e muito querida. Mais do que minha "personal CD", é minha amiga. E trabalha com o que há de mais avançado na área. Não consigo me entender muito bem com aquele mecanismo massageador para relaxar os músculos instalado na cadeira de dentista, mas isso não vem ao caso. Poxa, é inequívoco o empenho de vocês em buscar caminhos para oferecer melhor qualidade de vida aos pacientes. E isso significa, entre outras coisas, ajudar estes pobres mortais a vencerem a dor. Ou o medo, como é a minha situação. E já conseguiram grandes avanços, como é o caso das anestesias. Lembrem que sou do tempo do tratamento a seco, em que anestesia só era dada aos 45 minutos do segundo tempo, na hora do boticão. E tem mais. Gostaria de chamar a sua atenção para um dado importante: a imagem dos CDs segundo o senso comum até que não é tão ruim. Pior é a situação dos proctologistas. Apesar de não serem tão populares quanto vocês, também não são vistos com bons olhos. E, cá entre nós, é mais fácil abrir a boca. Mas isso fica para uma outra crônica. *Maurício Cintrão - jornalista e cronista
e escreve semanalmente para o Jornal do Site Odonto
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