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A reprodução humana ganhou, na última década, aliados sem
precedentes na medicina. Novas técnicas de fertilização foram
implementadas, profissionais se reciclaram, pesquisas foram bem
sucedidas e novas substâncias passaram a integrar o dia-a-dia de
clínicas, hospitais e profissionais de saúde.
Hoje, a realidade é um pouco mais reconfortante para as mulheres
que pretendem engravidar. Tratamentos à base de hormônios, a
revolucionária fertilização in vitro (FIV) e novas técnicas
cirúrgicas, são alternativas viáveis e, porque não dizer, vitoriosas,
pois trazem chances reais a grupo selecionado de casais.
Apenas como exemplo, a técnica de fertilização in vitro já
possibilitou o nascimento de mais de um milhão de bebês, nos últimos
27 anos. Os casais que não tinham nenhuma possibilidade de ter um
filho, atualmente têm mais de 50% de chances, quando se oferece a eles
mais de uma tentativa de tratamento.
Se de um lado a medicina avançou, aumentando as chances de gravidez
dos casais com problemas de infertilidade, por outro, ainda há
entraves sociais, burocráticos e financeiros que precisam ser melhor
equacionados, tanto pela rede pública de saúde, quanto pela medicina
privada e até pelos planos de saúde.
O Sistema Único de Saúde (SUS), que determina o acesso universal
dos brasileiros a exames, consultas, cirurgias e assistência
farmacêutica, engatinha nesses quesitos elementares e ainda deixa a
desejar sob diversos pontos de vista. O principal problema é
econômico: não há recursos suficientes.
Na seqüência, vem o aspecto social: cada vez mais brasileiros
migram para a rede pública, acuados pelo desemprego e pelo achatamento
dos salários. Quando conseguem um convênio, por vezes acabam
descobrindo que o plano não contempla a infertilidade conjugal nas
coberturas de seus tratamentos.
Por esses e outros motivos, seria inimaginável, neste momento, que
o sistema público pudesse direcionar seus recursos ao incentivo de
programas e métodos de fertilização. No Estado de São Paulo, que detém
uma das maiores receitas orçamentárias do país, poucos são os
hospitais que oferecem tratamentos gratuitos. Embora haja espaço para
avanços, existe uma lacuna significativa entre o real e o ideal.
A solução mais eficaz, sob o aspecto de urgência que o assunto
suscita, é a organização da medicina privada em torno de estratégias
que facilitem o acesso a tratamentos de infertilidade. E aí entra a
necessária dose de criatividade, bom senso administrativo e união
entre os especialistas que atuam na área, aliada à responsabilidade
social das clínicas e dos profissionais de saúde.
Faz-se necessário ampliar o debate e quebrar as reservas de
mercado, uma vez que é possível oferecer tratamentos a custos mais
acessíveis, beneficiando maior número de casais. Há clínicas
brasileiras que já disponibilizam alternativas menos onerosas e mais
de acordo com o nível de renda dos casais, obviamente, dentro dos
limites éticos da medicina, das normas de vigilância sanitária e com
rígidos padrões de qualidade, em termos de laboratório.
Por fim, nunca é demais ressaltar a importância da atualização
científica necessária ao tratamento em medicina reprodutiva. Não é
difícil encontrar, hoje, profissionais sem a necessária atualização
científica, por vezes prescrevendo tratamentos ultrapassados e até sem
indicação, que causam somente transtornos e frustrações ao casal, que
muitas vezes acaba investindo “tempo” e esperança quando já não tinham
nem um nem outro para “gastar”. Em outras palavras, se o sonho de
décadas passadas já se tornou realidade, está mais do que na hora de
aprimorá-lo e estendê-lo a todas as classes sociais deste país.
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