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| aaa | Ano VII - Nº 99 - Junho de 2005 |
Saúde dos dentes e do bolsoOctavio Antonio Filho* |
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Cada vez mais as empresas têm aderido ao plano de saúde odontológico como um benefício adicional aos seus funcionários. Nos últimos oito anos, o setor cresceu cerca de 15% a cada ano e conta hoje com 4 milhões de usuários. Se comparado ao mercado de planos médicos, que atende 36 milhões de pessoas, podemos dizer que os planos odontológicos têm muito que crescer ainda. Mas, se pensarmos que a lei trouxe uma abrangência muito ampla na cobertura dos planos, estendendo-se a quase 92% de todos os procedimentos odontológicos, percebemos que estamos levando a 4 milhões de pessoas um tratamento que talvez, antes, elas não tivessem acesso. E este é o caminho certo. Há rumores no mercado de que profissionais que prestam serviço aos planos de saúde estejam insatisfeitos com o valor repassado por consulta, considerando-os abaixo do mercado. E, na outra ponta, há o cliente que quer argumentos para o suposto aumento nos valores das mensalidades. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso tratar esta questão com muito cuidado e ressaltar dados reais de valores obtidos. Como nos planos médicos, e para que o usuário possa ter mais acesso aos serviços odontológicos, as operadoras criaram tabelas de remuneração do dentista, baseadas em itens de atendimento. Obviamente, os custos oferecidos pelas operadoras são mais adequados para que estas pessoas possam ser atendidas, já que em outro caso, não haveria como atendê-los. De outra forma, o movimento em muitos consultórios estaria reduzido e causando eventuais prejuízos ao dentista. Esta é uma via em que as duas partes devem estar conscientes de seu papel e responsabilidade: a operadora em levar o volume e remuneração adequados e o dentista em promover o melhor atendimento ao usuário/paciente. Não está correto afirmar que os planos de saúde odontológica têm aumentado os valores das mensalidades aos usuários. Tomemos, como exemplo, os preços praticados por uma operadora há cinco anos para produtos comercializados para empresas (planos coletivos): para um plano básico o preço da ocasião era de R$ 13,00 em média e hoje, este preço não é maior que R$ 11,00. Esta mudança/redução nos preços foi gerada pela concorrência, que provocou também maior penetração do produto “Plano Odontológico” no mercado, como um melhor aproveitamento dos recursos que uma empresa destina a este benefício. As operadoras têm aprendido a controlar seus custos de administração e a criar maior efetividade em sua operação. Não há segredos na estipulação do valor cobrado pelas operadoras. Como num plano de saúde médica, a fórmula é bastante simples: existe uma expectativa de custos com os sinistros e a ela se acrescentam as despesas administrativas, as eventuais despesas comerciais, os impostos e a expectativa de lucro da operadora. De maneira geral e pela expectativa no desenho do plano, os sinistros correspondem a 70% do preço do produto, a operação 16% e o lucro não ultrapassa 8%. Sendo assim, são visíveis as vantagens em contratar um plano de saúde odontológico: para o usuário é a possibilidade de ser atendido a um custo menor e para o prestador de serviço é a maior movimentação de pacientes em seu consultório, levando até ele pessoas que talvez não pudessem estar lá se não fosse a parceria entre operadora/dentista. Por isso, acredito que dentistas e operadoras devam saber que seu objetivo primário é servir a um usuário/paciente da melhor maneira possível. Depois, poderão discutir melhores formas de remuneração, produtividade e comunicação. Devemos sempre lembrar que é uma via de duas mãos, em que os parceiros precisam juntar esforços para melhorar. Não são competidores, mas sim, complementares, com a missão de levar melhor qualidade de saúde bucal para seus clientes.
*Octávio Antonio Filho é presidente da Gama Odonto. E-mail: octavio@gamaodonto.com.br. |