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Ano III - Nº 45 -Segunda quinzena de outubro de 2001
 

O Controle Financeiro no Consultório

Plínio Augusto Tomaz*

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Um mercado em constante ebulição como o que vivemos, exige de cada um de nós um pouco mais de esforço e de cuidado na administração dos bens pessoais e principalmente daqueles ligados à nossa atividade profissional. É necessário administrar, organizar e controlar muito bem o consultório. Não basta ser tecnicamente bom, como já deve ter percebido.

Dentre os diversos tópicos da administração, nossa conversa hoje será sobre o controle financeiro do consultório: aquele que você deveria estar fazendo!

Em minha trajetória profissional, tanto na qualidade de consultor em saúde quanto na de cirurgião-dentista, tenho cruzado com inúmero colegas que apresentam sérias dificuldades no controle administrativo-financeiro do consultório, causadas muitas vezes por erros que podem ser facilmente solucionados, conferindo rendimentos mais atraentes.

Todo profissional deve entender-se como uma micro-empresa e portar-se como tal. Você provavelmente já ouviu esta frase antes, mas o que isso tem representado para você na prática?

Entender-se como uma empresa quer dizer que, entre outras coisas, o dentista deve considerar seu consultório como um negócio e não como extensão de si mesmo. Em outras palavras: não se pode confundir o Dr. Fulano com o consultório do Dr. Fulano.

Por este motivo, gostaria então de ser prático e sugerir algumas dicas importantes para serem aplicadas a partir de hoje referentes à organização das finanças dessa sua empresa. Aqui vão algumas delas:

 

  1. Divida as contas bancárias: uma pessoal e outra para o seu consultório, até mesmo para facilitar a interpretação e análise de sucesso e apuração de lucros ou prejuízos num determinado período. Talvez esse seja o equívoco administrativo-financeiro mais comum entre odontólogos. É comum observar colega usando sua única conta bancária para receber honorários de pacientes particulares e de convênios, para pagar o salário da secretária, comprar ração para o cachorro, pagar a conta de água de casa, pagar o protético, pagar a escola dos filhos, enfim, aquela "salada". Quando eu pergunto: qual a situação financeira atual do consultório os colegas simplesmente não conseguem responder. Quanto você ganhou neste mês? Quanto gastou? Contas separadas ajudam muito;

  2. Registre em um arquivo próprio (pode ser em um caderno se você – por incrível que pareça - ainda não tem computador ?!?) todos (repito: todos) os movimentos financeiros do consultório, ou seja, todas as entradas e saídas de dinheiro provenientes do seu negócio, com data;

  3. Procure negociar as datas de vencimento de suas contas a pagar e a receber de acordo com a sua conveniência. Em outras palavras: gerencie o seu fluxo de caixa;

  4. Pausa. Você entende o que é fluxo de caixa? Você já deve ter passado pela experiência de ter de pagar uma conta hoje e saber que somente irá receber alguma importância suficiente para cobri-la dali a dois ou três dias. Isso é um mal gerenciamento de fluxo de caixa, pois para pagar a conta você ou irá pedir empréstimo ao banco / usar cheque especial (e pagar juros), ou não irá pagá-la naquele momento e vai pagar depois (com multa mais juros de mora). Ambas as opções são ruins.

    Organizar fluxo de caixa é planejar (recomendo que para um período de 60 dias, com atualização diária), todas as entradas e saídas de dinheiro, de forma que nunca lhe falte caixa ou seja, dim-dim no bolso ou no banco para pagar uma conta vencendo naquele dia.

  5. Verifique qual é o banco que oferece as melhores condições e taxas para se trabalhar com ele. Negocie. Quem não chora não mama. Há instituições financeiras que estão realmente explorando as pessoas;

  6. Ofereça ao seu cliente a possibilidade de pagar os seus honorários através de boleto bancário. É bom para você e para ele, mas você precisa saber que terá um custo adicional que o banco irá cobrar para a emissão e acompanhamento desse serviço. Quanto mais você receber através desse sistema, menos o banco irá lhe cobrar, podendo chegar a custo zero ou perto disso. Se você é, por exemplo, um ortodontista e recebe manutenções em grande quantidade, tem a faca e o queijo na mão para conseguir boas condições e taxas atraentes;

  7. Faça aplicações financeiras. Todo o dinheiro disponível, mesmo que por pouco tempo deverá estar aplicado. Consulte o seu gerente do banco e verifique as melhores opções ao seu perfil de investidor. Há aplicações que pagam maiores juros porém estas são as que apresentam maiores riscos. Cadernetas de poupança estão no extremo oposto: rendem muito pouco, mas o risco é praticamente nulo. Faça aplicações de curto prazo, que lhe garantem maior liquidez, ou seja, que você possa usar a qualquer momento, mas também faça aplicações de longo prazo, como ações e fundos de renda fixa;

  8. Mantenha sua retirada de dinheiro tal qual um funcionário assalariado. Estipule um valor e o retire mensalmente no data planejada. Se houver sobra, aplique. Você é um funcionário de seu consultório. Trabalhou e merece ser remunerado. O nome dessa retirada mensal é pró-labore;

  9. Faça provisão para 13º e férias seu e de seus funcionários. Separe mensalmente 1/11 do que retira mensalmente como pró-labore e do que gasta com o salário da secretária, incluindo os encargos trabalhistas, para compor um fundo a ser usado como 13º salário. Faça um segundo fundo para as férias e não se esqueça que nesta ocasião o funcionário deverá receber um adicional de 1/3 do salário. Com estas provisões feitas e estes valores sendo mantidos aplicados você não terá nenhuma surpresa desagradável no final do ano e, além disso, poderá sair de férias com maior tranqüilidade;

  10. Lembre-se do problema da sazonalidade, ou seja, das flutuações que normalmente ocorrem na demanda por serviços odontológicos. Você já deve ter percebido que nos meses de agosto a novembro há um aumento na procura por serviços enquanto nos meses de janeiro a março (até o carnaval) há uma acentuada queda. Além de todas as estratégias de marketing que você pode e deve usar, lembre-se de estabelecer um fundo, ou melhor, uma reserva financeira que equilibre a sua retirada mensal. Resista à tentação de tirar mais do que planejou num mês de vacas gordas e deixe aplicado, para retirar da aplicação em um mês de vacas magras;

  11. Cuidado com promoções para compra de materiais e equipamentos ou parcelamentos a perder de vista. Os juros embutidos podem acabar destruindo o seu ganho e atrapalhar o seu fluxo de caixa. Dívidas já são ruins por si só, se forem longas então... Para adquirir equipamentos opte por leasing, pois este sistema costuma oferecer menores taxas e ser mais vantajoso em termos gerais (mas verifique bem o contrato antes). Se conhecer um pouquinho de matemática financeira (recomendo que faça um curso rápido) vai observar como os juros podem ser seu amigo ou inimigo em situações diversas;

  12. Verifique com seu contador se em seu caso não vale a pena passar de pessoa física para jurídica. Há situações em que tornar-se pessoa jurídica é muito vantajoso em questões tributárias. Certifique-se.

Há ainda muitas outras coisas para serem feitas no consultório e que ajudam a administrar melhor a parte financeira, mas teremos de deixá-las para uma outra oportunidade.

Até a próxima.


* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/C Ltda. Autor do livro "Marketing para Dentistas - Conquistando e Mantendo Clientes" (Navegar Editora, 2ª edição, 2001) - Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br - e-mail: tomaz@tomazmkt.com.br

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