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Ano III - Nº 46 -Primeira quinzena de novembro de 2001
 

O Funcionário certo

Plínio Augusto Tomaz*

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Dentro de um consultório médico ou odontológico, fazer a gestão de pessoal é muito mais do que saber que cada funcionário contratado lhe custará, além dos R$ 355,00 (piso salarial de empregados de estabelecimentos de saúde), outros R$ 35,50 (10% de insalubridade), mais R$ 31,24 (8% sobre a soma dos dois anteriores, a título de FGTS), mais R$ 130,00 (GPS), mais R$ 20,00 (salário família), mais R$ 42,00 (cesta básica), mais R$ 70,00 (vale transporte) mais R$ 48,00 (fração mensal do 13 º salário, com encargos), R$ 9,80 (fração mensal da gratificação obrigatória de 1/3 do salário para férias) mais R$ 15,62 (fração de 50% sobre o FGTS acumulado para o caso de rescisão contratual), dando um custo mensal total, por funcionário, de aproximadamente R$ 760,00.

A gestão de pessoal é também mais do que possuir uma política de cargos e salários que remunere o funcionário de forma justa. Nem mais nem menos do que deve receber, e que esse valor o recompense por esforços ou méritos no trabalho.

É mais do que saber que todo funcionário precisa estar/ser constantemente motivado por um líder forte, empolgante, que contagie seus liderados a atingir objetivos comuns, ou melhor, os seus. É mais do que saber de sua obrigação de orientar bem seus funcionários quanto ao que espera deles e capacitá-los, através de cursos e treinamentos, que você oferece objetivando que eles rendam o melhor possível para que você alcance seus objetivos.

Gestão de pessoal, ou de recursos humanos, como também costumamos chamar, além de tudo isso, é o reconhecimento de que cada pessoa é um ser humano importante e, se está ao seu lado, merece o seu cuidado e sua atenção.

Você certamente já deve ter observado que de nada adianta você se esforçar em seu marketing pessoal, em atender bem o cliente, ou em pensar em estratégias para captar novos clientes, se o seu funcionário estiver contra você. Aliás, basta ele não estar com você, que já estará contra, mesmo que involuntariamente.

Desta forma, você deve concordar comigo que tudo o que dissemos até aqui só faz sentido quando, e se, fizermos uma boa seleção de pessoal. Mas como escolher bem um funcionário? O que se deve saber antes de contratar uma nova secretária ou recepcionista?

Vou tentar ajudá-lo um pouquinho com algumas dicas.

Em primeiro lugar, você deve definir exatamente o que a pessoa contratada deverá fazer, ou seja, descrever com o máximo possível de precisão, o cargo que será ocupado. Quais são as tarefas que a pessoa irá executar? Que características ela precisa ter para desempenhar bem essa função? Que formação ela precisa ter?

Depois, você deve descrever em detalhes o que espera de um funcionário ideal. Escreva os atributos pessoais e profissionais do candidato ideal. Pense em atributos como relacionamento pessoal (se gosta e sabe respeitar pessoas), se é confiável, se possui princípios morais e éticos, se sabe comunicar-se bem e se sabe ouvir. Em outras palavras, verifique se ele possui as características relevantes para o perfil que o cargo exige.

Particularmente, eu acho que os itens que acabo de mencionar são os mais importantes para a contratação de secretárias e recepcionistas de consultórios médicos ou odontológicos.

A pessoa possui auto-estima elevada? Tem iniciativa própria? Aceita críticas e aprende com elas? Sabe planejar bem as coisas?

Se o seu consultório é informatizado (não entendo como pode não ser) você também precisa saber sua capacitação em microinformática e experiências anteriores neste quesito.

Em minha atuação como consultor, tenho visto um sem-número de casos em que o dentista, médico ou psicólogo me diz que tem feito tudo direito, mas acha que está sendo sabotado pela secretária. Diz que não pode demiti-la porque sua mãe ficaria chateada, pois fora ela quem lhe pediu docemente para que contratasse essa jovem bonitinha, filha da comadre, e que carregou essa menina no colo e... Está rindo de que: identificação ou lamentação?

Por incrível que pareça, é assim que muitos profissionais "selecionam" a maioria de suas secretárias: indicação "técnica" da mãe, da sogra ou da tia-avó. Depois, não sabe por que não dá certo?!?

Aliás, essa "técnica" possui a mesma sabedoria milenar de estabelecer o preço dos procedimentos ou da consulta através de duas ou três ligações para conferir o preço dos amigos. Fabuloso !!!

"Conheço um caso de uma pessoa que contratou assim e deu certo", você pode estar pensando. Pode até ser verdade, mas eu não apostaria em possibilidades remotas em meu empreendimento (o seu consultório é um, não é mesmo?). Você apostaria? Ou realizaria um processo de recrutamento e seleção correto e que minimizasse as chances de contratar a pessoa errada?

Minha sugestão é que você observe se os seus funcionários atuais possuem o perfil desejado, dentro do salário que você propõe. Caso não tenham esse perfil, verifique se as pessoas são abertas e prontas para aprender. Em caso positivo, invista nelas, treine-as e elas serão capazes de lhe devolver tudo o que investiu com muito mais. Mas, se por outro lado, você constatar que esses funcionários não são ensináveis nem abertos, demita-os. Isso mesmo: demita-os.

Aí, contrate um profissional (ou empresa) especializada em seleção de pessoas e acerte os detalhes do perfil desejado, como já mencionamos. Deixe o resto com ela.

Mas se você ainda é do tipo que acha que deve fazer tudo sozinho, porque profissional "bom" é aquele que, além de atender bem o paciente, sabe contratar funcionários perfeitamente, sabe consertar o compressor de ar, que é excelente na arte de pintar as paredes do consultório ou trocar a fiação, desentupir encanamento, etc., tudo bem. Se você pensa assim, vá em frente. O dinheiro é seu.

Se você mesmo for conduzir o processo de recrutamento e seleção, siga ao menos algumas dicas essenciais:

  • Promova o recrutamento, colocando anúncios em locais vistos/lidos por pessoas com o perfil desejado, pois se o fizer em local errado, irá "chover" candidatos errados.
  • Procure observar nos currículos que irão lhe chegar às mãos, pessoas versáteis, que já tiveram experiência com pessoas (atendimento ao público, vendas, etc.) e outras características que estejam coerentes com o cargo.
  • Entreviste as pessoas, previamente selecionadas pelos currículos, e observe se elas sabem falar bem, se têm uma postura adequada diante das pessoas, como se vestem, etc. Procure observar (pode perguntar) seus valores pessoais. Tome nota dessas observações.
  • Antes da contratação propriamente dita, sempre recomendo que se faça uma dinâmica de grupo com até 10 candidatos finalistas. Coloque situações reais do dia a dia do consultório e peça para eles debaterem sobre o assunto. Observe quem lidera, quem segue ordens, quem escreve, quem planeja, quem "decifra", quem monopoliza a conversa, quem não fala quase nada, quem se expressa bem, quem é muito tímido, quem é irritável facilmente, etc. Escolha aquele mais próximo do perfil desejado.
  • Depois de tudo isso, contrate-a(s) por tempo provisório (experiência).
  • Não se esqueça de agradecer o tempo que os demais candidatos gastaram com você e seu processo de seleção. Dê um retorno a eles, ainda que negativos. Faça isso por carta, se possível. Essa é uma atitude elegante e que pode ajudar em sua imagem pessoal.

Depois de tudo isso, ainda há chance de você errar na escolha do funcionário correto. Mas fique tranqüilo: herrar é umano!


* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/C Ltda. Autor do livro "Marketing para Dentistas - Conquistando e Mantendo Clientes" (Navegar Editora, 2ª edição, 2001) - Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br - e-mail: tomaz@tomazmkt.com.br

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