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Ano IV - Nº 52 - Primeira quinzena de junho de 2002
 

Fluxo de Caixa

Plínio Augusto Tomaz*

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Você sabe o que é fluxo de caixa?

Sempre que visito profissionalmente um consultório ou clínica, preciso identificar, entre outras coisas, como aquele profissional/empresa cuida de sua administração financeira, como faz seu planejamento, onde aplica seu dinheiro, como organiza as receitas e despesas de sua atividade profissional etc.

Hoje, depois de centenas de consultórios visitados, posso afirmar sem medo de errar, que a grande parte dos dentistas, médicos e psicólogos não sabe administrar os seus recursos.

Alguns profissionais já me procuraram porque achavam que não tinham pacientes ou porque julgaram necessário aumentar as receitas. Em ambos os casos, os colegas possuíam um saldo negativo no banco. Após uma análise dessa questão, facilmente observei que o verdadeiro problema residia na má administração dos recursos que tinham, e não na pequena entrada de receita que acreditavam ter.

Por esta razão, gostaria que deixasse gravado em sua mente a importância de se administrar bem tudo aquilo que se relaciona com sua atividade, isto é, os fornecedores, os clientes, as receitas, os recursos materiais, despesas, o tempo etc. Neste artigo, em que estamos focando as questões financeiras de sua atividade profissional, quero apontar para um item essencial no planejamento e na organização do seu dinheiro: o fluxo de caixa.

Esse nome estranho nada mais é do que uma planilha (pode ser em tabela ou gráfico) onde se irá registrar todas as entradas e saídas de recursos provisionados, isto é, que ainda não ocorreram, mas que são certas. Em outras palavras, fluxo de caixa é a demonstração visual das receitas e despesas distribuídas pela linha do tempo.

Você poderá registrar como entrada (receita) por exemplo, os cheques pré-datados que possui em mãos, mais as parcelas de tratamento que deverão ser recebidos nas datas contratadas e preestabelecidas entre você e seu cliente. Como despesas, irá registrar as saídas de aluguel, do material que comprou parcelado, o pagamento da secretária e assim por diante.

Desta forma, você terá facilmente como observar períodos em que poderá estar com a conta prestes a "estourar". Uma vez isso constatado, você possa para o segundo passo, que é a ação!

Entre em contato com seus credores e negocie mudanças nas datas de pagamento, de modo a evitar aquele problema. Isso é administrar o fluxo de caixa. Com a demonstração visual que o método permite, você poderá também definir quais as melhores datas para o vencimento das parcelas de seus pacientes.

Tenho sempre recomendado que todo profissional faça o seu fluxo de caixa diário para um período de 45 ou 60 dias adiante. Isso dá uma boa margem de segurança para suas decisões e planejamento.

Mas atenção, não confunda o fluxo de caixa com o registro (contábil ou não de suas receitas e despesas já efetuadas. Esse registro também é importante, mas não tem nada a ver com o planejamento financeiro, pois olha as movimentações como que pelo retrovisor de um automóvel. Registro contábil olha para o passado. Fluxo de caixa, para o futuro.

Dentistas, de um modo geral, não gostam de números. Mas não se desespere: comece a anotar, ainda hoje, todas as entradas e saídas das quais já tem certeza e comece lentamente a fazer o seu fluxo de caixa.

Não se esqueça de que essa técnica não é a solução de todos os seus problemas, mas apenas uma das ferramentas que estão à sua disposição. Use e abuse delas.

Muito sucesso!

Boa sorte.

* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/C Ltda. Autor do livro "Marketing para Dentistas - Conquistando e Mantendo Clientes" (Navegar Editora, 2ª edição, 2001) - Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br - e-mail: tomaz@tomazmkt.com.br

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