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Estou de volta com assunto ligado às
questões financeiras, mas hoje quero falar com aqueles colegas e amigos
que estão à beira de uma ataque de nervos, devido à desorganização em suas contas
pessoais. Você está "quebrado"? Não sabe como sair do buraco em que se
enfiou? Não sabe nem ao certo como chegou a esta situação? Quando o problema chega a
níveis insuportáveis, precisa de um tratamento de choque. Eis aqui algumas dicas
importantes e práticas que você pode e deve seguir:
- O colega deve sempre manter o controle e o registro de suas atividades e saber separar o
pessoal do profissional. Para isso, a dica de usar contas separadas para cada uma dessas
áreas, é fundamental. Se você não faz isso, não sabe se o seu problema financeiro
atual é por "culpa" de sua inabilidade de administrar as contas pessoais ou se
o consultório está dando prejuízo de fato. Assim, a primeira orientação é: separe as
contas e faça um balanço para localizar onde está o problema. Como um profissional da
saúde, você sabe que nenhum tratamento será realmente eficaz sem um diagnóstico
correto.
- Conscientize-se que o dinheiro não estica, ou seja, os seus gastos devem caber dentro
de seu orçamento. Nunca, jamais, gaste mais do que ganha...líquido. Já vi alguns casos
onde a pessoa até que se preocupava com isso, mas equivocadamente considerava tudo o que
entrava no consultório como "receita líquida". Assim, ele ganhava 5.000 e
então gastava 5.000, esquecendo que desse valor deveriam sair 3.000 para pagar aluguel,
salário de funcionário e protéticos, etc. A conta não irá bater. Ajuste seu
orçamento doméstico e do consultório ao que você tem em mãos de fato, ou às suas
previsões mais realistas.
- Ainda que eu considere esta uma ação radical e que deve ser a última alternativa,
verifique se é possível desfazer-se de algum bem para eliminar as dívidas mais pesadas.
Venda seu carro, ou a casa na praia, por exemplo. Essa recomendação é válida
principalmente para aqueles casos de dívidas de grandes proporções e que colocam o
profissional na completa impossibilidade de investir no consultório, travando seu
negócio que, na verdade é sua fonte de receita capaz de tirá-lo da situação. Um ciclo
vicioso, como pode notar. Os juros do cheque especial ou do cartão de crédito chegam
próximos de 200% ao ano. Fuja deles.
- Reuna a família e faça um levantamento de todos os gastos, inclusive com os que
parecem insignificantes, como um picolé na esquina ou gorjetas. Sem a participação e
compreensão da família será difícil reverter a situação. Elabore um orçamento
doméstico.
- Se você é um tanto compulsivo para compras, passe a sair de casa com apenas uma folha
de cheque na carteira. Adquira o hábito de sair de casa com o dinheiro contado. Não caia
na tentação de comprar as "últimas novidades" em equipamentos ou materiais do
Congresso e, principalmente, passe longe dos shopping centers.
- Procure fazer suas refeições em casa, para economizar com restaurantes e fast foods.
- Pesquisar bem os preços antes de comprar qualquer produto. Não tenha vergonha de sair
da loja e comprar no estabelecimento ao lado onde o produto é mais barato. Mas atenção,
antes de mais nada se pergunte: eu preciso mesmo desse produto? Em caso positivo, preciso
dele agora ou posso adiar um pouco essa compra?
- Faça todo o esforço para somente comprar à vista. Adie a compra enquanto não tiver o
dinheiro todo. Evite novos parcelamentos, ou seja, mais dívidas. As compras parceladas no
cartão de crédito geram juros de cerca de 8% e 9% ao mês ou 152% a 181% ao ano.
- Evite os cheques pré-datados. Eles facilitam os menos organizados a caírem em
armadilhas. Ao utilizá-lo, anote em sua agenda os dias que cada um irão cair e sempre
considere esse valor não gastando com outras coisas. O mesmo cuidado vale para o cartão
de crédito: o controle das despesas realizadas com cartão exige cuidados. E não se
esqueça que além das contas do cartão, há as anuidades.
- Pague tudo o que for possível em dia. Entre tantas contas a pagar, a menos que haja
alguma complicação contratual, dê preferência às contas que ainda irão vencer, pois
sobres estas não incidiram multas ainda.
- Corte todos os gastos supérfluos. Corte a TV a cabo, as assinaturas de revistas em sua
casa e até mesmo o celular (prefira um pré-pago e não faça ligações com ele), se
esse não for um instrumento de trabalho. Use o telefone, inclusive o fixo de modo
racional.
- Torne-se um "pão-duro", ou seja, aprenda a dizer não aos amigos pedintes,
aqueles que sempre acham que você está com a bola toda e vivem pedindo emprestado. Gaste
somente o necessário e planejado. E comece a economizar nas pequenas coisas (dê valor ao
dinheiro que ganha com seu suor).
- Economize em água e energia elétrica. Habitue-se a apagar a luz sempre que sair de um
recinto e use lâmpadas menos potentes em ambientes onde isso é possível. No verão,
coloque o chuveiro elétrico na posição "Verão".
- Pense duas ou três vezes antes de comprar roupas ou sapatos novos. Até que o problema
seja completamente resolvido, volte a freqüentar o sapateiro da esquina, tire do baú os
modelitos que aposentou na última estação.
- Renegocie dívidas. Cuidado para não trocar uma dívida por outra ainda pior. Saia do
cheque especial e busque um empréstimo pessoal, por exemplo (geralmente possui juros
menores). Se for possível, procure um empréstimo familiar, mas mantenha sempre uma
"ficha limpa" com seus familiares e amigos, pagando rigorosamente em dia seus
empréstimos. Esta costuma ser a mais barata fonte de crédito. É desagradável, mas
funciona. Seja honesto com eles.
- Não queira manter as aparências ostentando sua vida. Somos muito tentados a
freqüentar os restaurantes a que estávamos habitados em época de "vacas
gordas", assim como os mesmos clubes, passeios, viagens. Seja inteligente e não
"Maria vai com outras". Corte tudo o que puder até sair completamente do
buraco. É necessário um tratamento de choque, como já disse.
* Plínio Augusto Rehse Tomaz é
cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/C Ltda. Autor do livro
"Marketing para Dentistas - Conquistando e Mantendo Clientes" (Navegar Editora,
2ª edição, 2001) - Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br
- e-mail: tomaz@tomazmkt.com.br |