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Ano V - Nº 69 - Julho  de 2003 -1ª Quinzena
 

Ai de mim que sou dentista!

Plínio Augusto Rehse Tomaz*

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Coisa insuportável é ficar ouvindo lamentações de colegas sobre a profissão que escolheu e sobre sua precária situação. A "culpa" é dos convênios, dos dirigentes de associações e órgãos de classe, do dólar, do governo, do Bin Laden... e até da sogra!! Todos são "culpados" pelo seu insucesso, menos eles mesmos.

Gente que só fica se lamentando adora contar aos outros como a sua situação é pior que a do colega. É como se dissesse: "Eu sou mais digno de pena do que você". "Eu estou mal. O mercado tá ruim". O outro lamentador patológico responde: "Você pode estar mal, mas e eu então... muito pior !!".

Que tal parar com isso e começar a agir?!

É bem verdade que a Odontologia passa por um momento difícil em sua relação oferta-demanda em determinadas regiões do País. Há uma superconcentração de profissionais em grandes centros urbanos, um grande despreparo técnico de muitos colegas, e uma gigantesca dose de inabilidade administrativa, tanto para cuidar da própria carreira quanto para cuidar do consultório, ou melhor, da sua empresa.

Além disso, há os problemas econômicos pelos quais o Brasil e o mundo passam, refletidos na valorização do nosso (cada vez mais) escasso dinheiro e a concorrência terrível que os cirurgiões-dentistas enfrentam não de seus pares (isto é o de menos), mas da utilização do mesmo recurso financeiro em coisas, produtos e serviços mais prazerosos que a Odontologia. Mas isso tudo não é desculpa para que se permaneça nesta mortal inércia.

Você não é um dentista "coitado", mas alguém que pode vencer se aprender algumas habilidades básicas, tais como negociação, administração, marketing e legislação. Mas, principalmente, pode conquistar alguma coisa em sua vida profissional se mudar de atitude.

Minha proposta, ou melhor, meu desafio para você hoje é: aprenda a gostar dessas habilidades pessoais e relacionais e passe a acreditar em você e em sua profissão. È preciso amar e SER feliz para que possa ESTAR feliz. Pense nisso.

Você já deve ter se perguntado por que há tantos dentistas bem sucedidos e, paradoxalmente, tantos abandonando a profissão. Mercado? Injustiça divina? Acaso?

Nada disso. O que acontece, entre outras coisas, é que esses colegas os quais consideramos bem sucedidos, não apenas sabem ser bons profissionais, mas sabem parecer bons e sabem vender seus serviços. Sabem organizar seus recursos e aplicá-los corretamente. Não basta saber fazer, é preciso saber vender.

De que adianta você saber fazer a melhor prótese fixa do Brasil se ninguém o conhece ou se você não sabe (ou não gosta) de vender? De que adianta ser doutor em Odontopediatria se você é alguém difícil de se relacionar? Para que serve um consultório lindo a altamente tecnológico se não tem pacientes?

Não basta ser tecnicamente um bom profissional, mas tem que parecer bom também aos olhos dos seus clientes, como eu já disse. A sua qualidade técnica está intrínseca a seu trabalho. Sem ela, você não permanece no mercado como alguém bem sucedido. É preciso dominar as habilidades técnicas e científicas, mas é igualmente fundamental dominar as habilidades relacionais e organizacionais.

Mais do que isso: não basta sonhar, tem que acreditar e realizar cada um destes sonhos.

Escreva seus objetivos e planeje e como irá realizar cada um deles. Desenvolva todas as habilidades que você não desenvolveu até agora. Invista em você e mude seu discurso. Desta forma, as pessoas vão olhar para você e dizer..."ai de mim que NÃO sou dentista".


* Plínio Augusto Rehse Tomaz é cirurgião-dentista e diretor da Tomaz Assessoria e Marketing S/C Ltda. Autor do livro "Marketing para Dentistas - Conquistando e Mantendo Clientes" (Navegar Editora, 2ª edição, 2001) - Página na Web: http://www.tomazmkt.com.br   - e-mail: tomaz@tomazmkt.com.br 

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