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A manutenção do sorriso depende da completa interação do indivíduo com o cirurgião-dentista, sendo que os principais obstáculos à saúde bucal incluem fatores sócios econômicos e culturais. Somada às restrições de acesso aos serviços odontológicos, culturalmente a Odontologia ainda carrega o estigma do "medo", do famigerado "motorzinho", aliados aos "serviços caros", que são figuras ainda presentes no nosso dia-a-dia. Segundo Kotler, "A Odontologia, o serviço funerário, vasectomia e as vacinações possuem demanda negativa e ninguém gosta e paga para evitá-los". Artigo da revista Veja: Cada vez mais gente "desafia o medo de dentista" só para embelezar a boca e sorrir mais branco. Obturações, tratamentos de canal, "apavorantes" extrações - tem um bocado de gente enfrentando o consultório do dentista para se submeter a essas pequenas "torturas". Artigo da revista Época: Graças a novas técnicas, equipamentos e materiais modernos, já é possível ter dentes perfeitos, mas o tratamento ainda é "caro". Para a maioria das pessoas, a palavra dentista está invariavelmente associada à sensação de "medo". O "pesadelo da broca" também é um dos termos utilizados. É necessário alterar esta cultura e, principalmente, conscientizar a população da conexão entre saúde bucal e a saúde geral. A Odontologia é parte imprescindível da saúde integral do indivíduo e as enfermidades bucais têm correlações com doenças sistêmicas, inclusive causando óbitos. Além das cáries, enfermidades periodontais e a conseqüente perda dos dentes, mastigação e nutrição deficientes, existem também outras associações com as enfermidades sistêmicas graves, que podem alterar funções vitais como respirar, comer e falar, e interferir na interação social, restringindo as atividades escolares e familiares. Podem minar a auto-estima e a auto-imagem, conduzindo a depressões e estresse, o que diminui de forma considerável a qualidade de vida, produzindo custos econômicos e dificultando a inserção no mercado de trabalho. Aconteceram alterações profundas na relação entre o dentista e o paciente, resultantes da histórica restrição de acesso aos serviços, da desproporção de profissionais no mercado, do crescimento dos convênios e da formação de uma clientela mais crítica, consciente dos seus direitos, no Código de Defesa do Consumidor, Código Civil e no Código de Ética, criando a necessidade de um novo ator: o seguro de responsabilidade civil. A relação doutor/paciente foi substituída pela profissional/cliente. * O autor é cirurgião-dentista graduado pela FOP-Unicamp, pós-graduando em Gestão de Planos de Saúde. Auditor odontológico e coordenador de Produtos da Sadincremental Odontologia. Consultor de Gestão em Odontologia da Odonto Manager. Reprodução parcial do trabalho "A Inovação da Odontologia" - 1º Prêmio Sinog de Odontologia 2000. Este texto pode ser reproduzido, desde que citada a fonte. E-mail para odontomanager@ajnaweb.com.br |