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| AnoVI - Nº 92 - Novembro de 2004 |
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Especialização é diferencial competitivo?
Ricardo Massayuki Assada* |
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Como a importância do aprimoramento é ponto pacífico, cabe ao profissional somente optar pela disciplina na qual deseja aprofundar seus conhecimentos, colocá-los em prática e os seus problemas acabaram... Talvez aí é que comecem. No atual mercado competitivo da Odontologia, a especialização não é considerada como diferencial, mas sim como uma obrigação profissional. Tanto que este fato acabou gerando o fenômeno dos “recém-formados especialistas”, que saem diretamente da graduação para a especialização. Como todo mercado é regido pelo binômio oferta-procura, e o da Odontologia não é diferente, um aumento na oferta de especialistas certamente terá seu impacto sobre a procura, pois a competitividade tende a se acirrar... Além da reciclagem, os profissionais têm de aprender a lidar com estas novas demandas, onde as grandes oportunidades dependem da sua percepção, e apenas os que ampliarem o foco e investirem em competências diferenciadas, como a administração profissional do negócio, sobreviverão. Uma das funções das entidades de ensino deve ser a formação de profissionais competentes para suprir as necessidades do mercado. A prática do ensino da Odontologia deveria obrigatoriamente acompanhar o ritmo das mudanças, pois existe um distanciamento da realidade acadêmica da realidade do mercado. Nos últimos anos temos observado no meio corporativo a evolução de cursos voltados para o mercado, os chamados MBA (Master in Business Administration), visando aprofundar conhecimentos aplicáveis no negócio, como economia e finanças, marketing, informática etc., no intuito de conhecer melhor a teoria de temas ligados ao negócio e à sua administração e buscando melhorar os resultados para os problemas do dia-a-dia no trabalho. Nos cursos que temos ministrado visando à capacitação do cirurgião-dentista em administração e marketing, sentimos a dificuldade da assimilação da Odontologia como negócio. Dada a devida importância à questão ética, sabemos que é difícil falar em competitividade quando o tema é saúde. Mas, paradoxalmente, estamos em pleno processo de desenvolvimento e principalmente de “profissionalização” do setor da saúde, e todos os esforços estão sendo direcionados para a maior eficiência. Durante anos ficamos distantes das teorias da administração e agora estamos pagando um alto preço para nos adequar aos novos tempos. O momento é de transição, os profissionais devem obrigatoriamente estar preparados para a “nova economia”, que exige um profissional com um perfil diferenciado e que, além da formação técnica, possua um embasamento holístico. A formação completa depende de uma qualificação integrada de conhecimentos técnicos, sociais, econômicos e culturais. A visão estereotipada e restrita deve dar lugar a uma visão mais abrangente, não é mais possível e nem viável administrar consultórios como “antigamente”, a gestão do seu consultório deve ser profissional. E a atitude reativa deve ser substituída pela pró-ativa. É preciso aprender a fazer parcerias, os limites entre os atores no mercado começam a ficar pouco nítidos. E uma das ferramentas é o marketing de relacionamento, que tem como objetivo a construção de uma rede de marketing, que consiste no estabelecimento de relacionamentos mutuamente compensadores entre você, seus colaboradores, fornecedores e seus clientes, a fim de ganhar e reter a sua preferência a longo prazo, estabelecendo sólidas ligações econômicas, técnicas e sociais. Um ponto importante a ser assimilado é que não há tempo para questionamentos, pois as mudanças estão tornando o setor mais seletivo e competitivo. A percepção da agilidade na transformação dos processos deve ser a máxima realmente válida, e será o grande diferencial de uma gestão de sucesso. Segundo Gary Hamel, apenas os realmente “revolucionários”, capazes de enfrentar o desafio da inovação, e apostar na criatividade, implantando novas idéias constantemente, serão capazes de sobreviver. E nem sempre a competência técnica é sinônimo do seu serviço. Numa sociedade cada vez mais voltada para a qualidade dos serviços, muitas vezes a razão do sucesso ou fracasso reside em aspectos sutis que são valorizados pelos clientes e pela comunidade em geral.
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* O autor é cirurgião-dentista graduado pela FOP-UNICAMP; Especialista em Gestão de Planos de Saúde pelo Centro Universitário São Camilo/Associação Brasileira de Medicina de Grupo - ABRAMGE-SP; Prêmio Sinog de Odontologia em 2000 e 2002 do Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo; coordenou e ministrou cursos de capacitação em Administração e Marketing para cirurgiões-dentistas e de Auditoria Odontológica; articulista e colaborador em revistas e sites odontológicos; atua há 14 anos em Odontologia de Grupo; atualmente é Gerente de Odontologia da Hapvida Sistema de Saúde. Este texto pode ser reproduzido desde que citados o autor e a fonte. E-mails para: odontomanager@hotmail.com |
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