|

Imagem:
RODRIGUES, J. W. Retrato do Alferes Joaquim José da Silva Xavier, 1940.
Fonte: Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro.
|
Vila Rica, por volta de 1780, era a maior cidade das Américas, com cerca de
75000 habitantes, três vezes maior que a população de Nova Iorque, oito
vezes maior que Buenos Aires e 14 vezes a população de São Paulo, segundo
nos conta Cyro Loures (ABO MG, 1980). Isso significa que os portugueses se
fartaram com o ouro brasileiro, mas também gastaram muito com prédios de
bela arquitetura e até com abertura de estrada, como se nota com o Caminho
Novo do Rio de Janeiro. Tiradentes era o reflexo dessa organização. Não era
iletrado, tinha alguns bens, era hábil no que o caracterizou : a atividade
como dentista.
É
de se crer que possuísse os dois volumes da obra de Pierre Fauchard, que
revolucionou a Odontologia, publicada em 2a edição em 1746, em Paris. Isso
lhe daria a "prenda de por dentes". Na obra, Fauchard ensina como fazer um
dente (ou face) a partir da parte mais dura da canela de boi, em um
processo complicado e demorado, mas possível de ser seguido.
Seus companheiros, literatos e escritores , doutores, padres, gente
socialmente
elevada, na certa lhe deram embasamento filosófico. Sua prática de
tropeiro o colocou junto aos militares de patente mais elevada. É possível
que, em cidade tão próspera, ele fizesse a sua prática dentária em casa, já
fixado em algum lugar. Era necessário limpar, desgastar, limar, polir o
fragmento ósseo ou outro substituto que ficaria no espaço do dente ausente,
o que lhe tomaria um bom tempo.
Salles Cunha dizia que era o primeiro profissional a ser conhecido pelo
trabalho que fazia - tirar dentes. O termo "dentista", comum no exterior,
aparece pela primeira vez no Brasil em
célebre gravura de Debret, mostrando um consultório de sangrador no Rio de
Janeiro.
Em
1939, Salles Cunha já o chamava de "symbolo". Nada mais justo
que, em 1962, através de um resolução do Conselho Deliberativo Nacional da
ABO, em Curitiba, fosse proclamado o Patrono da Odontologia Brasileira, e,
em 9 de dezembro de
1965, pela Lei 4897, o Patrono Cívico da Nação.
Thales Ribeiro de Magalhães é CD e diretor do
Museu Salles Cunha da ABORJ |