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Temos nos manifestado, ao longo desses anos em que estamos presidindo o Conselho Executivo da Associação Brasileira de Odontologia no sentido de sempre enaltecer a produção científica brasileira, chamando a atenção para a qualidade sempre crescente de nossa Odontologia, tanto no terreno tecnológico quanto de pesquisa. Entretanto, se podemos estar felizes e contentes com esse progresso, por outro lado nossa preocupação nos leva a fugir de nossa linha habitual. A situação em que se encontram os cirurgiões-dentistas e, por decorrência, a própria profissão, não só no Brasil mas na América Latina, faz com que usemos este espaço para um alerta. A verdadeira invasão dos chamados planos de saúde ou os grupos que se intitulam de "empresas de atenção odontológica" por um lado, e por outro a total insensibilidade das autoridades, ao menos em nosso país, no que se relaciona à abertura e criação de novos cursos de Odontologia, tem no nosso entendimento produzido enormes malefícios. Não somos contra planos de saúde, entretanto eles devem tratar com equidade o usuário e o profissional, para que o resultado final seja aceitável para todos os envolvidos. Entretanto, não é isso o que se observa, pois esses planos além de praticarem uma verdadeira exploração do profissional, sob o ponto de vista de remuneração pelo trabalho executado, ainda exigem produção, levando a uma diminuição qualitativa do serviço oferecido, não acompanhando o elogiável progresso tecnológico e científico que estamos alcançando. Por várias causas já detectadas e conhecidas de todos, existe hoje uma evasão de pacientes dos consultórios particulares, obrigando a maioria de nossos colegas a se submeter, de alguma maneira, a seguir essas regras altamente prejudicias, num verdadeiro "faz de conta", muito comum hoje em dia. Devido a essa situação é que, sem sermos alarmistas, tememos pela nossa profissão. Parece, e queira Deus estejamos completamente enganados, que entramos em um processo de autofagia do qual está difícil sair, até quem sabe por falta de uma maior conscientização e de uma reflexão madura sobre os fatos e sobre o que projetam para o futuro. Toda nossa preocupação está voltada para o dia-a-dia, para a busca do resultado imediato. Será este o caminho? A nós não nos parece! Temos, insistentemente, expressado nossa opinião de que somente com a união, com a integração de todos os segmentos que arregimentam profissionais cirurgiões-dentistas, incluindo-se aí entidades representativas da classe em nível nacional, estadual e municipal, órgãos do governo, entidades de especialistas, entidades que trabalham em formação de pesquisa, faculdades, enfim todos os setores de atividades ligados à profissão deveriam, neste momento, estar unidos lutando pela melhoria das condições de trabalho do cirurgião-dentista, por uma remuneração condizente com a importância e qualidade de seu trabalho, o que sem dúvida resultaria em benefício para a saúde da população e, quem sabe, assim sair do "faz de conta". É buscando essa integração e esses objetivos que a Associação Brasileira de Odontologia tem trabalhado ao longo dos anos. Se cada um trabalhar por si, o caminho será muito mais difícil e os resultados custarão mais a chegar. Ao passo que, se todos estivermos juntos, temos certeza de que conseguiremos resultados positivos. Este texto foi publicado originalmente, com pequenas alterações, como editorial da Revista ABO Nacional, edição no. 35, vol.7, no. 2, abril/maio de1999. * Henrique Teitelbaum é professor titular de Dentística da Faculdade de Odontologia da PUC-RS e presidente da Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional). |