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As
falcatruas, descaminhos, mentiras e atos de corrupção generalizados
que se tem assistido no País já estão caindo na banalidade. Nada mais
espanta, tanto o aumento de denúncias. Uma se sobrepõe à outra e a
última é sempre pior do que a anterior. Quando se pensa que já foram
levantadas todas as pontas do tapete, vem à tona nova caçamba de lixo.
E como é típico da criatividade brasileira, tudo vira piada, charge e
textos humorísticos. Mas que não se culpe o povo, pois quando não é
iludido, mais age assim por proteção do que por alienação.
Dos
atuais mandatários da Nação - que foram eleitos para dirigir os
destinos do País, discernir entre o que é bom ou não para a população
e a ela prestar contas de seus atos - exige-se respeito, ética, moral
e dignidade, apenas para citar alguns dos componentes imprescindíveis
que deveriam ser intrínsecos do homem público.
Na
obra Pequeno Tratado das Grandes Virtudes (Ed. Martins Fontes), o
filósofo francês André Comte-Sponville, fala que a virtude (e a
virtude moral) é a capacidade de agir bem, é o esforço para se portar
bem (aliás, o autor enfatiza “virtudes” no plural, relativas a valores
morais). E em seu livro Comte-Sponville enumera polidez, fidelidade,
prudência, temperança, coragem, justiça, generosidade, compaixão,
misericórdia, gratidão, humildade, simplicidade, tolerância, pureza,
doçura, boa-fé, humor e amor como as pequenas grandes virtudes,
dissecando-as todas para que não restem dúvidas tanto da necessidade
de sua existência quanto de sua prática.
Ainda com relação a Comte-Sponville, a virtude é um ápice entre dois
vícios (abismos), ou seja: a coragem, entre covardia e temeridade; a
dignidade, entre complacência e egoísmo; a doçura, entre a cólera e a
apatia. A moral e a ética (ou a falta de ambas) do
governo-partido/partido-governo, infelizmente, estão apenas entre os
vícios e os abismos. Qualquer dos preciosos pensamentos encontrados na
atual obra de Comte-Sponville remete à desesperança, porque deles está
toda condução do País muito distante.
Para quem divide este espaço e para os leitores do Jornal do Site
Odonto fica a sugestão de fazer desta obra um bom livro de cabeceira,
que vai além do divertimento e com certeza contribui para que cada um
de nós se torne um ser humano mais digno e consciente de suas
escolhas.
Aos
mandatários e/ou envolvidos nos sórdidos fatos que estão sendo
revelados a cada dia no Brasil, Pequeno Tratado das Grandes Virtudes
deveria se transformar em lição de casa para os acontecimentos atuais
e exercício obrigatório de candidatos às próximas eleições, em todos
os níveis. |