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| Ano VII - Nº 95 - Fevereiro de 2005 |
Quem vê título
não vê coração
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Para o bem e para o mal, o título é a chave de um texto em Comunicação. Mais forte do que ele, só uma boa foto. Vamos mostrar alguns exemplos para que o leitor veja como pode ser conduzido, induzido e despertado por essa única frase que encabeça, em letras fortes, o resto da informação. No Estadão do dia 1/2/05 foi publicada matéria na pág. A11, com o título Riscos de contágio no dentista. O que o leitor comum tira de conclusão, caso não leia todo o texto, que ocupa cerca de 2/3 da página? Que é perigoso ir ao cirurgião-dentista porque poderá pegar doenças no consultório. Já o profissional vai ficar indignado por ver resumida nesse enfoque todo o árduo e responsável trabalho de manter seu consultório sob controle e fora das infecções. No entanto, o texto da reportagem trata desde biossegurança a cuidados com higiene e esterilização, tem entrevista com profissionais de Odontologia, estatística de quantos profissionais usam ou não paramentos etc. Enfim, a matéria mostra os tipos de doenças que podem ser transmitidas, o que deve ser feito no consultório para evitar a contaminação, o que o CD brasileiro vem fazendo e o interesse que tem pela questão. Ou seja, título e texto dão pesos diferentes a uma mesma questão, mas o jornal optou pela interpretação de maior impacto, quase alarmista, que chama muito mais a atenção do leitor do que um simples e hipotético “No dentista, sem risco de contágio”. O “falecido” jornal Notícias Populares, como o nome já dizia, atraía o povo às bancas de jornal por suas famosas manchetes sensacionalistas. “Nasceu o diabo em São Paulo” e “Desaparece o bebê diabo” foram apenas duas das mais famosas. Nascimento, vida e morte do NP, como era chamado, ganharam até ótimo livro escrito por acadêmicos de Jornalismo (Celso Campos Jr., Denis Moreira, Giancarlo Lepiani e Maik Rene Lima – Carrenho Editorial, 280 págs.). O Correio Braziliense, que passou por uma das mais competentes reformas editorial e gráfica no País, costuma trazer títulos e manchetes dignos de aplauso: “TALIBÃS DIZEM NÃO A BUSH (E A GUERRA FICA MAIS PRÓXIMA)” é um exemplo de como expressar em poucas palavras mais do que uma manchete, pois traz entre parênteses uma conclusão, mas com impacto para o leitor. Faz parte da técnica profissional do jornalista a criatividade para conseguir escrever o melhor título, aquele que pega o leitor pela curiosidade, emoção, revolta ou surpresa e, num conceito empresarial, que venda mais jornal. Mas o compromisso com a verdade deve pesar tanto quanto os demais fatores. É disso que resulta a credibilidade ou o folclore que vai caracterizar a notícia, a manchete, a página, o conteúdo, a publicação, o jornalista. Para o leitor analisar como a imprensa influencia - de novo, para o bem e para o mal – opiniões e decisões, em 2004, durante a campanha para a eleição municipal de São Paulo, o Observatório Brasileiro de Mídia divulgou pesquisa sobre a cobertura que o fato mereceu nos jornais Agora São Paulo, Diário de S.Paulo, Jornal da Tarde, Estado de S. Paulo e Folha de S. Paulo. O orfômetro - critério desenvolvido pelos pesquisadores da USP para aferição qualitativa das matérias sobre as eleições -, apontou que entre as matérias que citam José Serra (PSDB), hoje prefeito eleito da cidade, 14,06% foram negativas; 44,86%, neutras e 41,09%, positivas. Já entre as reportagens sobre a candidata Marta Suplicy (PT), 40,36% eram negativas; 44,40%; neutras e 15,24%, positivas. Alguns estudiosos do tema e políticos de um e de outro partido consideram que a imprensa induziu o leitor e eleitor com matérias positivas ou negativas relacionadas aos candidatos de preferência daquela mídia específica. Outros, no entanto, são taxativos ao afirmar que o meio nada mais é do que o reflexo do que o povo quer ler, tese já levantada pelos defensores do extinto NP. Este artigo pode parecer sem sentido para o leitor cirurgião-dentista, nosso público-alvo, mas tem um objetivo bem determinado, que é o de alertar este profissional para dois aspectos. O primeiro, é que ele deve ficar atento ao que lê e ir além da mensagem que traz uma notícia aparentemente inofensiva. O outro, é escolher criteriosamente um profissional de comunicação, que tenha compromisso com a ética e domine a técnica. Para terminar, mais um exemplo de como um bom título “pega” o leitor, em especial na área de Odontologia, geralmente terreno tecnicista e árido em se falando de criatividade: “Tão longe, tão perto”, título emprestado da seqüência do cultuado “Asas do Desejo”, do cineasta Wim Wenders. Acredite, caro leitor, este título de capa trazia sobre ele a palavra “Teleodontologia”. Poesia pura na ótima matéria especial sobre os avanços dessa nova tecnologia utilizada para a educação, intercâmbio científico e, no futuro, até para o relacionamento entre profissional e paciente (publicada na Revista ABO Nacional, vol.XII, no. 4, ago/set. 2004, de autoria do jornalista Marcelo de Andrade).
Até a
próxima, *Zaíra Barros, formada pela Faculdade de Jornalismo Casper Líbero, 13 anos de imprensa diária (Folha de S.Paulo), chefe de Redação e assessora de imprensa de empresas/entidades; diretora da Edita Comunicação; 17 anos à frente do Núcleo Redação da Edita Comunicação; editora de publicações especializadas do Brasil e do Exterior nas áreas de Negócios, Saúde e Odontologia e editora do Jornal do Site Odonto. zairabarros@editabr.com
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