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Drogas e Corrupção
Célio Pezza*
O Departamento de Estado
dos EUA divulgou em 1º de março seu relatório anual referente ao ano de 2009
sobre a situação das drogas e corrupção em diversos países do mundo. Este
relatório é feito com base em informações do próprio sistema de inteligência
norte-americano e também considera informações oficiais dos países citados.
O maior produtor de ópio
do mundo é o Afeganistão, com 5.500 toneladas/ano. O México tem o primeiro
lugar na produção de maconha, com 21.500 toneladas/ano. Com relação à
cocaína, os maiores produtores são Bolívia, Colômbia e Peru, produzindo um
total de 174.500 toneladas de pasta de coca e 705 toneladas de cocaína pura.
No caso da maconha, tem um dado da própria Polícia Federal brasileira que
estima que um investimento de US$ 11 mil em uma plantação de maconha dá um
lucro de US$ 350 mil. Não conheço nenhum negócio no mundo que chegue perto
destes ganhos.
Diante de tanta droga
produzida, fica fácil entender porque a humanidade está passando pelos
problemas atuais. Corrupção, crime organizado, destruição de todos os
valores, degradação da espécie humana, tudo tem a ver com estes números. E,
novamente, tudo bem detalhado, com informações que ao olhar de um leigo
seriam mais que suficientes para um combate realmente efetivo. Ao ler este
relatório tão minucioso, concluo que é tanto dinheiro envolvido que não
interessa nem a quem o elaborou acabar com este mercado. Minha percepção é
de que vamos continuar a gerar relatórios cada vez mais completos, cheios de
gráficos e informações detalhadas e fazendo reuniões importantes para
definir estratégias e planos mirabolantes de longo prazo, sem ter como
verdadeiro objetivo acabar com a produção e distribuição das drogas no
mundo.
Este relatório faz uma
análise de cada país e, no caso específico do Brasil, cito alguns pontos:
O Brasil faz fronteiras
com os três maiores produtores de cocaína e tem uma importância vital não
como produtor, mas como distribuidor. Este relatório mostra que o trânsito
ilegal das drogas tem aumentado significativamente através do Brasil.
Novamente, eles têm as rotas, as medições das quantidades, etc.. Quanto ao
consumo, já temos a segunda posição no ranking mundial, perdendo somente
para os EUA, portanto já podemos comemorar, pois a medalha de prata é nossa.
Aparecem também o PCC (Primeiro Comando da Capital – SP) e CV (Comando
Vermelho- RJ) como os grandes controladores da droga no Brasil, incluindo a
distribuição doméstica e internacional, comercialização, etc.. Junto com as
drogas também aparecem armas e munições, seqüestros e toda sorte de crimes.
Já quando falam sobre
lavagem de dinheiro e corrupção, aparece o governador de Brasília e até o
ex-presidente Sarney como dono de contas ilegais no exterior e fundações com
seu nome para receber dinheiro legalizado concedido pelo Estado. Dizem que a
corrupção no Brasil é preocupante, escândalos não param de ser revelados
pela imprensa e que os processos abertos por crimes de corrupção no governo
continuam lentos e poucas condenações foram registradas em 2009.
É triste ler um
relatório destes tão cheio de informações e saber que no próximo ano será
emitido outro mais bonito, com mais gráficos e detalhes, e que muito pouco
deverá mudar, em especial aqui no nosso Brasil.
Afinal, este ano nada
podemos fazer, pois temos Copa do Mundo e eleições. Nos próximos anos também
não podemos nos dedicar a estes problemas menores, pois temos que nos
preparar para as Olimpíadas.
Será que algum órgão do
governo fará algum comentário a respeito deste relatório? A propósito, ele
está a disposição no site da U.S. Department of State / Policy Issues /
International Narcotics Control Strategy Report.
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PubE152 31032010 |

* Célio Pezza é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação
acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara,
interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópoli (RS).
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