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Chegar aos 100 anos será cada vez mais comum
Otávio Gebara
Mudanças
no estilo de vida, na rotina de trabalho e na abordagem clínica contribuem
para viver mais e melhor
Estudo recentemente
divulgado na publicação científica The Lancet revela que metade da
população atual de bebês chegará aos 100 anos – pelo menos os nascidos nos
países ricos. De acordo com Kaare Christensen, coordenadora das pesquisas
realizadas numa universidade da Dinamarca, a expectativa de vida vem
aumentando em ritmo acelerado e exigindo que a sociedade se prepare para um
novo arranjo entre jovens e velhos.
Kaare diz que se o
século 20 foi um período de redistribuição de renda, o século 21 deverá
promover a redistribuição de trabalho. Uma das soluções propostas é diminuir
a carga horária de trabalho semanal, aumentando o tempo de dedicação ao
lazer e à educação. Mas é a abordagem nos tratamentos de pessoas com mais de
80 anos que deverá sofrer grandes mudanças.
Com o envelhecimento da
população e os casais tendo cada vez menos filhos, não só a ciência já se
deu conta das novas demandas que se apresentam, como outras esferas da
sociedade começam a introduzir mudanças com base nessa realidade que se
apresenta mesmo no Brasil, onde a expectativa de vida também aumentou
consideravelmente nos últimos anos. , diz o cardiologista Otávio Gebara,
diretor clínico do Hospital Santa Paula.
Além de insistir na
prevenção de doenças, a classe médica deverá adotar novas abordagens nos
próximos anos para garantir que pacientes com mais de 80 anos possam
controlar problemas de saúde e ainda assim ter uma boa qualidade de vida.
Independentemente da idade e da expectativa de vida, a ciência já se dá
conta da importância de se adotar algumas medidas que preservem o bem-estar
do paciente. Isso tem levado a grandes avanços em termos de diagnóstico
precoce de doenças e a tratamentos mais assertivos também.
Os
vilões da terceira e quarta idades
O sedentarismo é
epidêmico na terceira idade, já que aproximadamente 80% das pessoas com mais
de 65 anos não praticam quaisquer exercícios físicos, contribuindo de
maneira significativa para a obesidade. O excesso de peso está intimamente
ligado à síndrome metabólica, que é um conjunto de fatores de risco que pode
desencadear diversas doenças e abreviar a vida do paciente.
Hipertensão, altos
níveis de açúcar, colesterol e triglicerídeos no sangue... Todo esse
conjunto não parece estar somente diretamente ligado a doenças do coração e
do cérebro, mas também ao aumento de casos de câncer. Via de regra, quem
quer viver mais e com saúde deve abandonar definitivamente o cigarro, evitar
o consumo excessivo de álcool, combater o sedentarismo a todo custo, adotar
uma dieta rica em vegetais e pobre em açúcar e sal. Isto sem falar na
necessidade de manter alto astral e o stress sob controle.
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PubE151 01032010 |

Otávio Gebara,
médico cardiologista, diretor clínico do Hospital Santa Paula, de São
Paulo (www.santapaula.com.br)
e coautor do livro “Coração de Mulher” |