Ano XIX nº 224 -
 
 

Artigo - Adriana Gledys Zink

Edição 224 - 13/06/2016

 

 

A ESPECIALIDADE DO FUTURO

Odontologia para pacientes com necessidades especiais

 

Como eu e muitos outros colegas gostaríamos de ouvir isso:

“Pacientes especiais: a especialização do futuro, atualmente a mais procurada”, mas infelizmente não é uma especialidade tão procurada, ou melhor, não é nada procurada....

Com base em dados do CFO somos em torno de 600 especialistas, o que no meu ponto de vista é um PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA, porque não temos profissionais suficientes para atender a quantidade enorme de pacientes com necessidades especiais que o Brasil tem.

Por outro lado é uma especialidade com grande diversidade de atendimento onde o profissional pode atender em ambulatório, domiciliar e em ambiente hospitalar, para isso precisa de uma formação ampla.

Os amantes da Odontologia para PNE militam pelo país, tentando contagiar os colegas a engajarem nessa luta, mas não é uma tarefa tão fácil.

Aos poucos vão surgindo novos amantes da especialidade e nesse contesto resolvi entrevistar a Dra Lais David Amaral – CRO SP 85.702 e  CRO DF 10.725 que acabou de concluir sua especialização em PNE e a qual eu tive a honra de ser orientadora. E vai passar um pouco de sua expectativa sobre a nova fase profissional.

Vamos lá:

1. O que é ser especialista em PNE?

Ser especialista em odontologia para pacientes com necessidades especiais é tornar orgânica a atuação deste profissional com pacientes que podem necessitar de alguns cuidados a mais durante seus

Adriana Gledys Zink*

Adriana Gledys Zink é presidente da Câmara Técnica de Odontologia para PAC Especiais do Crosp, especialista em Odontologia para PNE E mestre em Ciências da Saúde. É doutoranda em Odontopediatria e responsável pelo blog AUTISMO E ODONTOLOGIA www.adrianazink.blogspot.com

tratamentos. Ser dentista de “especiais” é tratar as desigualdades de maneira natural, sem tabus, sem medos, sem tantos “dedos”, sem preconceitos, sem rótulos, sem ter que medir palavras o tempo todo. Trabalhar para a saúde de pessoas com necessidades especiais requer um olhar mais humanizado (claro, sem deixar de lado todos os essenciais conhecimentos técnicos), um olhar integral em relação à saúde, não só desse paciente, mas a saúde de toda a família envolvida neste contexto. Pacientes especiais são lições diárias de vida. Mães fortes, pais corajosos, crianças e adultos que superam suas dificuldades, que alimentam esperanças, que confiam no seu trabalho, que te ensinam e que te mostram que o mundo tem cores muito mais vibrantes do que a sua rotina te permite enxergar.

 

2. Como será sua vida profissional a partir dessa especialização?

Minha vida profissional, possivelmente, será longe da clínica geral. Já faz algum tempo (8 anos) que me apaixonei pela especialidade de pacientes especiais e quero dedicar-me somente a promoção de saúde destas pessoas, seja na docência, seja no consultório odontológico, seja no serviço público de saúde (outra paixão confessa!).

3. O que falta na especialidade?

Falta ACESSO! A acessibilidade nem sempre está relacionada a rampas e cadeiras de rodas! Falta que os cirurgiões dentistas das Unidades Básicas de Saúde estejam aptos, mas sobretudo DISPOSTOS a receberem os pacientes especiais em suas unidades de saúde. Faltam orientações sobre higienização aos familiares e cuidadores, faltam cuidados básicos, falta a realização da contra referência. Sabemos que muitos pacientes especiais dependem dos serviços públicos de saúde. Sabemos também que é comum que estes pacientes sejam encaminhados para serem atendidos nas unidades conhecidas como CEO – Centro de Especialidades Odontológicas. Acontece que o atendimento dos CEOs são insuficientes para a demanda, pois muitos destes pacientes especiais poderiam ser atendidos nas Unidades Básicas de Saúde (que deve ser responsável pela resolutividade de 80% dos problemas em saúde da população em geral). Ainda que estes sejam encaminhados e atendidos numa unidade CEO, é muito difícil que haja a manutenção do tratamento realizado, ou seja, a proservação da saúde bucal deste paciente, que deveria ser feita na atenção básica. Isso acontece, em parte, pelo despreparo dos cirurgiões dentistas, que em sua formação acadêmica, não tiveram disciplinas voltadas a odontologia aplicada a pacientes com necessidades especiais e também pela falta de incentivo dos órgãos governamentais, em capacitar estes profissionais e fazê-los compreender que a saúde é direito de todos e que a equidade é um princípio que garante o acesso a saúde, INCLUSIVE àqueles que mais necessitam.

Quando um colega de profissão me pergunta como é trabalhar com “estas pessoas”, minha resposta é sempre a mesma: Experimente tentar!

 

E você?

Bora entrar nesse time de dentistas especiais?

Te esperamos, abrace essa ideia.

Odontologia para pacientes com necessidades especiais & Odonto por amor

 

Adriana Zink/ 2016

 

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