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Ano X nº 162 -

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Os parodoxos da corrupção

Célio Pezza*

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Paradoxo é o conceito de uma contradição, pelo menos na aparência. Temos alguns paradoxos famosos como o Paradoxo de Epicuro, que fala sobre o problema do mal, o Paradoxo da Pedra, o do Crocodilo, etc.

O paradoxo da pedra, por exemplo, versa sobre a onipotência e diz o seguinte: Pode um ser onipotente criar uma pedra tão pesada que não consiga erguer? Se não consegue erguer a pedra, não é onipotente e se não consegue criar tal pedra, não era onipotente desde o início da hipótese. Já o paradoxo do crocodilo diz que um crocodilo rouba uma criança e quando sua mãe vai pedi-la de volta ele faz a proposta de que a devolverá se a mãe adivinhar de forma correta se ele vai devolver ou não. A mãe responde que ele não vai devolver a criança e aí está o paradoxo: se ele devolve a criança, entra em contradição, pois a mãe errou na resposta e se ele não devolve, acontece o mesmo, pois a mãe acertou a resposta.

No que diz respeito à corrupção, podemos imaginar o seguinte paradoxo: pode um presidente de uma empresa, que não seja corrupto, acabar com a corrupção em sua gestão? Se dissermos que sim, por que ele não acaba com ela? A primeira hipótese é que ele realmente quer, mas não acaba, pois não tem poderes ou não sabe como e, portanto, não faz jus ao título de presidente, que é quem supostamente tem o poder e o preparo para tal; a segunda é que ele sabe como, mas não quer.
Neste caso, ele também é corrupto e contraria a hipótese inicial de que não é corrupto. De todas as formas, fica a pergunta do porque não acabar com a corrupção. Mário Amato, ex-presidente da Fiesp, falou certa vez que “nós todos somos corruptos”; Itamar Franco, quando não conseguiu sua indicação para ser candidato à Presidência, durante uma convenção do PMDB em 1998, comentou que “o lado que ganhou, comprou e o lado que perdeu, não comprou”. O que se vê é que na verdade todos nós somos participantes da corrupção, quer seja como autores, como vítimas, ou como omissos.
A corrupção talvez seja hoje a maior desgraça do ser humano, e no dia 9 de dezembro foi comemorado o Dia Internacional de Combate à Corrupção. Aqui no Brasil, creio ser interessante lembrarmos Rui Barbosa, que disse num célebre discurso ao Congresso em 1914: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.

  

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PubE162 16022011


* Célio Pezza
é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara, interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópoli (RS).


http://celiopezza.com/wordpress
www.celiopezza.com

 

 

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