|
Os parodoxos da corrupção
Célio Pezza*
---------------------------------------------------------------------------------------------------
Paradoxo é
o conceito de uma contradição, pelo menos na aparência. Temos alguns
paradoxos famosos como o Paradoxo de Epicuro, que fala sobre o problema do
mal, o Paradoxo da Pedra, o do Crocodilo, etc.
O paradoxo da pedra, por
exemplo, versa sobre a onipotência e diz o seguinte: Pode um ser onipotente
criar uma pedra tão pesada que não consiga erguer? Se não consegue erguer a
pedra, não é onipotente e se não consegue criar tal pedra, não era
onipotente desde o início da hipótese. Já o paradoxo do crocodilo diz que um
crocodilo rouba uma criança e quando sua mãe vai pedi-la de volta ele faz a
proposta de que a devolverá se a mãe adivinhar de forma correta se ele vai
devolver ou não. A mãe responde que ele não vai devolver a criança e aí está
o paradoxo: se ele devolve a criança, entra em contradição, pois a mãe errou
na resposta e se ele não devolve, acontece o mesmo, pois a mãe acertou a
resposta.
No que diz respeito à
corrupção, podemos imaginar o seguinte paradoxo: pode um presidente de uma
empresa, que não seja corrupto, acabar com a corrupção em sua gestão? Se
dissermos que sim, por que ele não acaba com ela? A primeira hipótese é que
ele realmente quer, mas não acaba, pois não tem poderes ou não sabe como e,
portanto, não faz jus ao título de presidente, que é quem supostamente tem o
poder e o preparo para tal; a segunda é que ele sabe como, mas não quer.
Neste caso, ele também é corrupto e contraria a hipótese inicial de que não
é corrupto. De todas as formas, fica a pergunta do porque não acabar com a
corrupção. Mário Amato, ex-presidente da Fiesp, falou certa vez que “nós
todos somos corruptos”; Itamar Franco, quando não conseguiu sua indicação
para ser candidato à Presidência, durante uma convenção do PMDB em 1998,
comentou que “o lado que ganhou, comprou e o lado que perdeu, não comprou”.
O que se vê é que na verdade todos nós somos participantes da corrupção,
quer seja como autores, como vítimas, ou como omissos.
A corrupção talvez seja hoje a maior desgraça do ser humano, e no dia 9 de
dezembro foi comemorado o Dia Internacional de Combate à Corrupção. Aqui no
Brasil, creio ser interessante lembrarmos Rui Barbosa, que disse num célebre
discurso ao Congresso em 1914: “De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto
ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver
agigantar-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da
virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto”.
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
PubE162 16022011 |

* Célio Pezza é escritor (www.cpezza.com), mas tem sua formação
acadêmica em Química e Administração de Empresas. Nascido em Araraquara,
interior de São Paulo, Célio mora atualmente em Veranópoli (RS).
http://celiopezza.com/wordpress
www.celiopezza.com |