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A Odontologia é
uma profissão que predispõe o cirurgião-dentista a situações de
estresse físico e psíquico podendo causar patologias do sistema
músculo-esquelético, que levam à incapacitação para o trabalho, caso
não sejam observados os princípios de ergonomia.
As alterações
musculoesqueléticas resultam, normalmente, de um desequilíbrio entre
as solicitações biomecânicas por parte do trabalho e as capacidades
funcionais do trabalhador e afetam principalmente a coluna e os
membros superiores.
Os principais
fatores de risco para os distúrbios musculoesqueléticos são a elevada
repetitividade de um dado padrão de movimentos, utilização de força
manual ou a utilização prolongada das mãos; elevação manual de cargas,
manutenção prolongada de posturas incorreta (entende-se por postura
correta para desempenhar uma dada tarefa, aquela para a qual o esforço
muscular é mínimo); trabalho com exposição a vibrações; número baixo,
ou mesmo inexistência de períodos de descanso; e alguns fatores
psicossociais tais como trabalhar sob estresse causado pelo nervosismo
do paciente ou pelo pouco tempo disponível para o desenrolar de cada
consulta.
O diagnóstico da
doença profissional nem sempre é fácil, sendo por isso fundamental o
conhecimento tanto da história clínica como da história profissional
do doente.
Dentre as lesões
mais comuns em cirurgiões-dentistas estão as cervicalgias que
consistem em dores no pescoço que, por vezes, se estendem até aos
ombros ou à cabeça e que, normalmente, estão associadas à manutenção
de posturas consideradas pouco ergonômicas; as dorsalgias que são
dores muito frequentes, mas também muito irregulares e indefinidas e,
normalmente, originadas por posturas incorretas; as lombalgias que
tanto podem ser agudas, com existência, ou não, de prolapso por parte
do disco intervertebral, como podem ser crônicas, com existência de
uma dor permanente, ainda que não muito intensa, e de impotência
funcional.
Nos membros
superiores as lesões mais comuns são as tenossinovites e os sintomas
das tenossinovites que incluem dor, inchaço, limitação de movimentos,
dores lancinantes, crepitação dos tendões; a síndrome do túnel cárpico
que é uma das lesões mais ameaçadoras para os CDs uma vez que estes,
ao longo de um dia de trabalho, executam dezenas de movimentos com os
pulsos; a tenossinovite de Quervain que consiste na inflamação e
inchaço do tendão na base do polegar devido ao uso excessivo de força
ao fazer apertos com a mão e ao rodar o pulso vezes excessivas
causando dor quando se tenta afastar o polegar da mão; a epicondilite
lateral que é uma inflamação nos tendões dos cotovelos (tendinite),
provocada por movimentos repetitivos sem apoio, pela utilização de
força e com vibrações; a tendinite do complexo do ombro (manguito
rotador) que é uma região anatômica complexa onde existem quatro
articulações que, se movem simultaneamente, permitindo ao ombro ter
uma grande amplitude de movimentos; e por fim a síndrome do
desfiladeiro torácico que pode causar formigamento de membros por
conta de uma compressão vascular e nervosa em nível cervical e
torácico. Irradiando-se pelo membro superior, a dor sentida é, em
geral, intermitente e verifica-se principalmente com os movimentos
realizados com os braços em posição elevada.
Fazer pausas de
alguns minutos entre as consultas e, nessa altura, aproveitar para
fazer exercícios posturais que contrariem as posições habituais ajuda
a prevenir essas patologias, assim como trabalhar sentado em moxos com
apoio lombar, praticar exercício físico regularmente, usar lentes de
aumento, e a utilização de equipamento mais ergonômico, mais ajustável
a cada paciente entre outras considerações ergonômicas. Consulte um
fisioterapeuta do trabalho para indicar e identificar os pontos-chave
preventivos e, assim, garantir o melhor atendimento tanto para o
profissional quanto para o paciente, e desfrutar mais e melhor seu
tempo livre de dores.
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