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ALZHEIMER – E AGORA?
Luciana Pricoli Vilela*
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Com o envelhecimento da
população, são cada vez mais freqüentes os diagnósticos de doenças
neurodegenerativas, isto é, doenças que levam à perda de funções
neurológicas por processos destrutivos diversos. Dentre os processos
neurodegenerativos mais comuns, encontra-se a doença de Alzheimer.
A doença de Alzheimer é
uma causa (a primeira ou a segunda, na maioria dos estudos) de demência.
Demência é um distúrbio
mental irreversível, que atinge geralmente idosos ainda que possa acometer
adultos e jovens mais raramente. As alterações intelectuais da demência são
de intensidade variável e envolvem diversos domínios da capacidade mental: a
memória (capacidade de lembrar fatos passados), a linguagem (capacidade de
comunicação), as habilidades motoras (coordenação e noção de localização
espacial), as emoções (o modo de ser ou “personalidade”), a cognição
(capacidade de fazer abstrações e julgamentos, também de fazer cálculos).
A história típica de
doença de Alzheimer é a de indivíduos acima dos 60 anos de idade que começam
primeiro a apresentar “lapsos” de memória e depois passam a fazer confusões
com objetos, com datas, com as finanças, perdem-se em lugares antes
conhecidos, mudam seu modo de ser, etc. É uma história lenta e progressiva.
É preciso estar atento porque muitas pessoas acham que é normal da idade
haver falhas de memória.
É verdade, que mesmo o
envelhecimento saudável está associado a um grau de diminuição de velocidade
de raciocínio, mas, em situações normais, mesmo os mais idosos, deveriam
permanecer com todas as suas capacidades intelectuais preservadas ainda que
às vezes um pouco menos ágeis. Isto significa que o normal é envelhecer com
boa memória mantendo a própria autonomia.
A doença de Alzheimer
ainda não tem cura. Há remédios que podem controlar alguns dos seus
sintomas, mas a progressão é inevitável. Do momento do diagnóstico até o
final de vida do paciente, podem passar de três a quinze anos, mais ou
menos. Em média, esses pacientes vivem cerca de oito anos. O diagnóstico de
certeza só seria possível com a realização de biópsia cerebral, o que não é
feito na prática. Por isso, ele é geralmente inferido pelas características
clínicas dos sinais e sintomas do paciente e pela exclusão de outros
diagnósticos, por meio de exames laboratoriais e de imagem.
É importante procurar
ajuda especializada quando um idoso começa a ter “falhas” de memória. Pode
ser o início de um processo demencial, porém podem ser outras doenças. O
importante é não acharmos “normal da idade”. Quando achamos normal, não
tomamos providências e podemos deixar de prevenir causas reversíveis de
perda de memória. Além do mais, mesmo que o diagnóstico seja de um processo
irreversível, o conhecimento do fato é essencial para aprendermos a lidar
com a situação.
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PubE156 29082010 |

Dra.
Luciana Pricoli Vilela é medica especializada em Clínica Geral e Geriatria
pela Universidade de São Paulo e membro da Sociedade Brasileira de Clínica
Médica e Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia.
www.pricolivilela.com.br |