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O lado
não tão positivo das Mídias Sociais
Roberto Dariva*
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O que me motiva a
escrever alguns artigos é a euforia desenfreada das pessoas quando alguma
coisa recebe um destaque acima da média. E sempre há um tema da moda para as
revistas de tecnologia usarem em suas capas para venderem seus exemplares.
Foi assim com mobile payment, com SOA e, recentemente, com cloud computing.
Mas agora não se fala de outra coisa que não sejam as mídias sociais.
As mídias sociais são
uma continuidade da revolução nos meios eletrônicos de comunicação, que
começou quando a internet foi democratizada. Hoje, esses meios dão poder aos
usuários para trocarem informações, manifestarem suas opiniões e interagirem
freneticamente ou moderadamente, dependendo de seu perfil. Isto tudo é muito
bom, mas quando as mídias sociais deixam de ser um aliado e podem gerar
resultados não desejados? Quando as conseqüências não são mensuradas.
Vejamos alguns exemplos:
Há muito tempo eu tinha
uma conta no Orkut que criei para conhecer o serviço. Logo encontrei alguns
amigos com quem tinha perdido contato e até fiquei entusiasmado, mas num
certo dia acessei minha conta no Orkut e um amigo havia deixado uma mensagem
expondo algumas informações pessoais minhas. Na mesma hora, decidi apagar
minha conta do Orkut e abandonei o serviço. Não era nada grave, falava da
minha moto apenas. Mas aquilo me fez pensar que qualquer pessoa com acesso à
web poderia obter informações sobre mim, e preferi preservar minha
privacidade.
Eu uso muito o Google
Maps, serviço fantástico e gratuito para ajudar a traçar rotas e conhecer
detalhes do mapa de alguma região. E quando foi lançado o Google Latitude,
um serviço que permite traçar toda a sua movimentação enquanto estiver
rodando com seu smartphone, eu também instalei para testar. Adicionei poucos
conhecidos. Certo dia, estava em reunião no Rio de Janeiro e recebi uma
mensagem de um colega me questionando se eu estava gostando da piscina onde
estava. Isto porque quando o GPS não funciona, a opção é buscar a
localização do usuário através da triangulação de antenas das operadoras
móveis, o que pode gerar uma variação de centenas de metros em relação à
localização real exata. Eu, de terno e gravata, passando calor e aguardando
pelo começo da reunião, decidi desinstalar o serviço porque achei que as
pessoas poderiam ter conclusões equivocadas.
Também criei uma conta
no Twitter e, assim como o Orkut, gostei do serviço e passei a utilizá-lo.
Já comecei a utilizá-lo permitindo que apenas pessoas autorizadas pudessem
ver minhas mensagens, e uma das pessoas que escolhi para “seguir” (termo
usado para acompanhar as mensagens de alguém) passou a usar também um
serviço chamado Foursquare, que permite enviar coordenadas da sua
localização, dentre outras coisas. O que me chamou a atenção foi que comecei
a ler várias mensagens que informavam exatamente a localização dessa pessoa.
“Estou em casa na rua X”, “Estou na empresa no endereço Y”, etc. Esse tipo
de serviço está sendo muito usado por todos, mas principalmente pelos
jovens. Que bela oportunidade para que ladrões, sequestradores e todo tipo
de marginal planejem e executem uma ação. Em algumas situações, as pessoas
expõem tudo e até marcam encontros descrevendo o lugar, o horário e a roupa
que estarão vestindo.
Outra situação acontece
com os malfeitores que aplicam o golpe do telefone para cobrar um suposto
sequestro. Eles ligam para uma pessoa e dizem ter um familiar em seu poder,
antes de cobrarem um pagamento pelo suposto resgate. Na maioria das vezes,
consegue-se evitar o golpe ligando para a pessoa supostamente sequestrada.
Mas e se o usuário postar no Twitter que ficará com o celular desligado por
duas horas porque acaba de entrar no cinema? Fica mais fácil ligar para a
família, cujo telefone talvez esteja em seu blog ou ainda num dos posts do
Twitter. É preciso prestar atenção e mensurar as consequências desse tipo de
exposição.
Já do ponto de vista
corporativo, existe o risco de as pessoas passarem a divulgar informações
confidenciais pelos softwares de mídias sociais. Muitos internautas buscam
status a partir da obtenção do maior número de seguidores no Twitter,
leitores de seus blogs ou páginas sociais, e algumas vezes não medem as
consequências e publicam informações corporativas estratégicas, gerando
problemas para suas empresas. Outras vezes a exposição impede as pessoas de
separarem suas vidas pessoais das profissionais, e um simples comentário
sobre futebol pode gerar uma situação constrangedora sem precedentes e até
culminar na demissão de um colaborador.
E se as mídias sociais
fossem usadas de forma desleal? E se uma empresa criasse milhares de
usuários falsos para elogiar seus produtos ou serviços, e você comprasse
algo muito ruim com base em falsos depoimentos? E se falsas pessoas
iniciarem um relacionamento com seu filho ou filha para explorarem sua
ingenuidade?
O objetivo desse artigo
é provocar a reflexão. Posso parecer neurótico com a questão da privacidade,
mas é importante conhecer e imaginar o efeito colateral de tanta
socialização. Conhecendo e refletindo, procure extrair o máximo das redes
sociais para sua vida e sua empresa e, claro, evite confusões.
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PubE156 29082010 |

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Roberto Dariva é Diretor Executivo da Navita, especializada em soluções para
Portais/Intranets e smartphones BlackBerry® |