Ano VIII nº 132 -

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Protocolo para processamento de artigos e instrumentais em nível ambulatorial para clínicas médicas e odontológicas

Parte 1

Rui de Andrade Dammenhain*

1. INTRODUÇÃO

Dentre os fatores desencadeantes dos surtos de infecção , incluindo os por Micobactéria não Tuberculosa (ou Micobactéria de Crescimento Rápido) pós procedimentos vídeolaparoscópicos, que vêm sendo notificados e investigados no Brasil, o mais apontado até o momento, é a contaminação de materiais, instrumentos ou equipamentos, decorrente de falhas em uma ou mais etapas do reprocessamento, considerando que em todos os casos investigados, falhas semelhantes foram detectadas.

No Brasil, na grande maioria dos estabelecimentos, os instrumentos video-laparoscópicos vem sendo tratados em solução de glutaraldeído, produto que exige local específico com aeração adequada e uso correto de EPIs devido a sua toxicidade. Além disso, exige pessoal capacitado para seu manuseio pois requer o controle minucioso e rigoroso de vários parâmetros (em especial pH e concentração) para assegurar uma adequada desinfecção ou esterilização.

Falhas no emprego deste produto, agregadas à falhas no processo de higienização dos materiais (lavagem, secagem, inspeção) são os principais fatores apontados para o desencadeamento dos surtos registrados. Acreditamos portanto, que se faz urgente e necessário uma intensa campanha incluindo capacitação de profissionais, atualização, discussão e divulgação de protocolos técnicos, além de vigilância redobrada dos processos de trabalho em todos os níveis da assistência, reforçando e legitimando o papel dos profissionais de controle de infecção.

 

2. CLASSIFICAÇÃO DA ÁREAS

È necessário que a clinica adote uma central de esterilização simplificada , com duas áreas distintas separadas até o teto e com comunicação através de guichê de passagem.

Deve haver condições de controle de temperatura e ventilação em ambas as áreas.

Os revestimentos de pisos e paredes devem ser de material liso, de cor clara e resistentes aos processo de limpeza e desinfecção.

Movéis e bancadas devem ser de fácil limpeza sem presença de reentrâncias e superfícies que retenham sujidades.

Somente devem ser utilizados produtos com registro no Ministério da Saúde para os procedimentos de descontaminação e lavagem .

Devem ser observado a existência de equipamentos de proteção individual (EPI) conforme tabela abaixo:

Central de Material Esterilizado

Área

 Atividades permitidas

Tamanho mínimo

 EPI

Área Suja

 Recebe material sujo, realiza os processos de descontaminação , limpeza, lavagem e secagem dos artigos

4,8 m2

Avental plástico, luva grossa, gorro, mascara, protetor ocular

Área Limpa

Recebe material descontaminado, embala, esteriliza , faz monitoramento do método e armazena material esterilizado

3,2 m2

Avental de pano, luva de procedimento, gorro e máscara

Fonte: RDC 50/2002 - ANVISA

 

                                   Figura 1 – Lay out de central de material simplificada

 

3. CLASSIFICAÇÃO DE MATERIAIS

A escolha do processamento ao qual o material ou equipamento deverá ser submetido, seja simples limpeza, desinfecção ou esterilização, é melhor entendida quando separados em uma das três categorias gerais propostas por Spaulding (artigos críticos, semicríticos e não críticos), baseadas no risco potencial de infecção que é determinado em função do uso a que se propõe.

Artigos críticos: são instrumentos ou objetos que são introduzidos diretamente na corrente sanguínea ou em outras áreas do corpo, normalmente estéreis. aqueles que vão invadir tecidos estéreis. Instrumentos incluídos nesta categoria devem portanto, obrigatoriamente, ser submetidos a um dos muitos processos de esterilização aceitos tecnicamente.

Nos procedimentos de vídeolaparoscopia, artroscopia, cistoscopia e outras ”scopias” cirúrgicas, todas as partes do equipamento consideradas críticas, deverão ser ESTERILIZADAS utilizando o método preconizado para cada tipo de material.

Artigos semicríticos: são artigos de menor risco para infecção, pois prevê contato somente com mucosas íntegras, como endoscópios de fibra ótica, tubos endotraqueais, circuitos utilizados em anestesia, etc. Conforme Spaulding, nesses casos, se a esterilização a vapor puder ser utilizada, é preferível que este procedimento seja realizado, mas ela não é absolutamente essencial. No mínimo, o material deverá ser submetido a desinfecção de alto nível.

Artigos não críticos: são aqueles que habitualmente não toca o paciente ou toca somente em pele íntegra. Ex.: termômetros, manguitos de pressão, estetoscópios, e uma infinidade de artigos com baixíssimo potencial de transmissão de infecção como mesas de cabeceira e camas.

Portanto, em geral, dependendo do tipo de instrumento ou equipamento, limpeza ou lavagem com detergente é suficiente.

 

 

4. TRATAMENTO OU REPROCESSAMENTO DE MATERIAIS

O reprocessamento de artigos médico-hospitalares tem sido amplamente discutido e estudado sob os aspectos legais, éticos e de segurança, envolvendo profissionais de controle de infecção, empresas reprocessadoras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Ministério Público e usuários.

Dentro desse contexto a ANVISA publicou em 11 de agosto de 2006 as seguintes resoluções:

  • RDC nº 156 - “que dispõe sobre o registro, rotulagem e reprocessamento de produtos médicos, e dá outras providências;

  • RE nº 2605 - “que estabelece a lista de produtos médicos enquadrados como de “uso único” proibidos de serem reprocessados”

  • RE nº 2606 – “que dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos de reprocessamento de produtos médicos e dá outras providências.

 

5. DESCONTAMINAÇÃO PREVIA

Descontaminação prévia é o procedimento utilizado em artigos contaminados por matéria orgânica, tais como sangue, pus, e demais secreções corpóreas, para destruição de microorganismo patogênicos na forma vegetativa , antes de iniciar o processo de limpeza, e tem por objetivo proteger as pessoas que irão proceder à limpeza desses artigos.

O produto de eleição para este procedimento são os detergentes enzimáticos, produtos compostos basicamente por enzimas, surfactantes e solubilizantes que, combinados, removem a matéria orgânica do material em curto período de tempo. Atuam em substratos protéicos, gorduras e carboidratos que tendem a solubilizar- se e desprender- se dos artigos.

Os detergentes enzimáticos apresentam excelente ação de limpeza, mas não possuem atividade bactericida ou bacteriostática Para realizar a diluição deve-se atender as especificações de cada marca comercial .

Para que tenham a ação desejada os instrumentais devem ficar totalmente submersos na solução de detergente enzimático, em recipiente plástico com tampa pelo tempo determinado pelo fabricante. A solução deve ser trocada diariamente.

Pode ser usada lavadoras de ultra-som de baixa freqüência


NA PRÓXIMA EDIÇÃO, ACOMPANHE A PARTE 2 (E ÚLTIMA),
QUE CONTÉM OS TÓPICOS:

  • 6. LIMPEZA DE MATERIAIS MÉDICOS HOSPITALARES

  • 7. DESINFECÇÃO

  • 8. ESTERILIZAÇÃO

  • 9. RESPONSABILIDADES

  • 10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

*Diretor Presidente do INBRAVISA – Instituto Brasileiro de Auditoria em Vigilância Sanitária. e.mail: inbravisa@inbravisa.com.br www.inbravisa.com.br

PubE132 150808

 

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