|
Que Brasil desejamos
para nossas crianças em 2016?
Synésio
Batista da Costa
As
Olimpíadas do Rio 2016 serão uma nova oportunidade para o Brasil olhar para
o futuro. Muitos dos pequenos brasileiros de hoje virão a ser os atletas
olímpicos daqui a sete anos. Eles competirão em estádios construídos por
operários, muitos deles frutos de uma geração com poucas oportunidades, mas
que poderão vivenciar as conquistas de seus filhos.
Do
ponto de vista econômico, conseguimos inúmeros avanços, temos hoje uma
economia com bases sólidas, a inflação sob controle e parâmetros financeiros
de primeiro mundo, atingimos "Investment Grade" (recomendação de
investimento), fomos os últimos a entrar na crise e os primeiros a sair
dela. Enfim, sopram ventos favoráveis para mudanças estruturais na educação,
na saúde e na qualidade de vida, especialmente para as crianças.
Por isso, com a missão de organizar o principal evento esportivo do planeta,
e com indicadores econômicos tão positivos, os nossos governantes têm pela
frente a chance de serem os operários na construção de uma geração campeã,
vitoriosa na formação educacional, com ampla oferta de oportunidades e de um
horizonte mais glorioso. Um exemplo de que os jogos poderão trazer avanços é
a medida que prevê o ensino de inglês, a partir de 2010, aos adolescentes
das escolas municipais cariocas. Muitas outras mudanças e inovações como
essa também estão por vir.
Afinal, hoje somos uma das maiores economias do mundo e um dos principais
países emergentes ao lado da Rússia, Índia e China (BRIC), também integramos
o G20 e, por diversas vezes, somos reconhecidos como liderança na América
Latina e no cenário mundial.
Entretanto, em relação à educação, de acordo com um ranking elaborado pela
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco),
que monitora o cumprimento de metas alcançadas pelos países para melhorar o
ensino, o Brasil ocupa a 80ª posição em uma lista de 129 países, ficando
atrás de nações como Paraguai, Venezuela, Argentina, Kuwait e Azerbaijão.
Além disso, o Brasil é o 75º colocado no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH)
medida esta que compara a riqueza, alfabetização, educação, esperança de
vida, natalidade e outros indicadores de 182 países do mundo. Isso se deve
ao fato de milhões de crianças brasileiras serem de famílias que vivem
abaixo da linha da pobreza, se encontrarem sem vagas em creches, nunca terem
ido à escola, frequentarem escolas de péssima qualidade e morrerem por
doenças que poderiam ser facilmente evitadas como a diarreia e a
desnutrição.
Apesar de termos muitos desafios pela frente, nossa visão é otimista, vemos
as Olimpíadas como marco de uma nova nação rumo ao primeiro mundo, não só
nos esportes, mas em todos os aspectos. E para que esse objetivo seja
atingido, será necessário um investimento de aproximadamente 30 bilhões em
obras públicas que também irão beneficiar e inspirar as milhares de crianças
que, em 2016, certamente serão 60 milhões* de vencedores.
Nosso desejo é o de sermos protagonistas do futuro do Brasil que terá 100%
das crianças matriculadas em creches e escolas de qualidade, livres do
trabalho infantil, com registro civil, bem nutridas, protegidas de qualquer
forma de violência ou opressão. Enfim, que os nossos futuros campeões tenham
todos os seus direitos garantidos e possam se orgulhar por fazerem parte do
primeiro país da América do Sul a sediar uma Olimpíada.
Esperamos que até o Natal de 2016 possamos comemorar o cumprimento dos
direitos da criança e do adolescente. Que o espírito olímpico vivenciado por
aqui traga consigo todo o progresso que exige. Este é o Brasil que desejamos
para as nossas crianças daqui a alguns anos.
*(número de crianças e adolescentes, de acordo com a PNAD-IBGE 2007)
----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
PubE151 01032010 |

*
Synésio Batista da
Costa
, presidente da Fundação
Abrinq |