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1. INTRODUÇÃO
Dentre os fatores
desencadeantes dos surtos de infecção , incluindo os por Micobactéria
não Tuberculosa (ou Micobactéria de Crescimento Rápido) pós
procedimentos vídeolaparoscópicos, que vêm sendo notificados e
investigados no Brasil, o mais apontado até o momento, é a
contaminação de materiais, instrumentos ou equipamentos, decorrente de
falhas em uma ou mais etapas do reprocessamento, considerando que em
todos os casos investigados, falhas semelhantes foram detectadas.
No Brasil, na
grande maioria dos estabelecimentos, os instrumentos
video-laparoscópicos vem sendo tratados em solução de glutaraldeído,
produto que exige local específico com aeração adequada e uso correto
de EPIs devido a sua toxicidade. Além disso, exige pessoal capacitado
para seu manuseio pois requer o controle minucioso e rigoroso de
vários parâmetros (em especial pH e concentração) para assegurar uma
adequada desinfecção ou esterilização.
Falhas no emprego
deste produto, agregadas à falhas no processo de higienização dos
materiais (lavagem, secagem, inspeção) são os principais fatores
apontados para o desencadeamento dos surtos registrados. Acreditamos
portanto, que se faz urgente e necessário uma intensa campanha
incluindo capacitação de profissionais, atualização, discussão e
divulgação de protocolos técnicos, além de vigilância redobrada dos
processos de trabalho em todos os níveis da assistência, reforçando e
legitimando o papel dos profissionais de controle de infecção.
2. CLASSIFICAÇÃO
DA ÁREAS
È necessário que a
clinica adote uma central de esterilização simplificada , com duas
áreas distintas separadas até o teto e com comunicação através de
guichê de passagem.
Deve haver
condições de controle de temperatura e ventilação em ambas as áreas.
Os revestimentos
de pisos e paredes devem ser de material liso, de cor clara e
resistentes aos processo de limpeza e desinfecção.
Movéis e bancadas devem ser de fácil
limpeza sem presença de reentrâncias e superfícies que
retenham
sujidades.
Somente devem ser
utilizados produtos com registro no Ministério da Saúde para os
procedimentos de descontaminação e lavagem .
Devem ser
observado a existência de equipamentos de proteção individual (EPI)
conforme tabela abaixo:
|
Central de
Material Esterilizado |
|
Área |
Atividades
permitidas |
Tamanho mínimo |
EPI |
|
Área Suja |
Recebe
material sujo, realiza os processos de descontaminação , limpeza,
lavagem e secagem dos artigos |
4,8 m2 |
Avental
plástico, luva grossa, gorro, mascara, protetor ocular |
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Área Limpa |
Recebe
material descontaminado, embala, esteriliza , faz monitoramento do
método e armazena material esterilizado |
3,2 m2 |
Avental de
pano, luva de procedimento, gorro e máscara |
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Fonte: RDC
50/2002 - ANVISA |

Figura 1 – Lay out de central de material simplificada
3. CLASSIFICAÇÃO
DE MATERIAIS
A escolha do
processamento ao qual o material ou equipamento deverá ser submetido,
seja simples limpeza,
desinfecção ou esterilização, é melhor entendida quando separados em
uma das três
categorias gerais propostas por Spaulding (artigos críticos,
semicríticos e não críticos), baseadas no risco
potencial de infecção que é determinado em função do uso a que se
propõe.
Artigos críticos:
são instrumentos ou objetos que são introduzidos diretamente na
corrente sanguínea ou em
outras áreas do corpo, normalmente estéreis. aqueles que vão invadir
tecidos estéreis.
Instrumentos incluídos nesta categoria devem portanto,
obrigatoriamente, ser submetidos a um
dos muitos processos de esterilização aceitos tecnicamente.
Nos procedimentos
de vídeolaparoscopia, artroscopia, cistoscopia e outras ”scopias”
cirúrgicas, todas as partes do
equipamento consideradas críticas, deverão ser ESTERILIZADAS
utilizando o método preconizado
para cada tipo de material.
Artigos
semicríticos: são artigos de menor risco para infecção, pois prevê
contato somente com mucosas
íntegras, como endoscópios de fibra ótica, tubos endotraqueais,
circuitos utilizados em
anestesia, etc. Conforme Spaulding, nesses casos, se a esterilização a
vapor puder ser
utilizada, é preferível que este procedimento seja realizado, mas ela
não é absolutamente
essencial. No mínimo, o material deverá ser submetido a desinfecção de
alto nível.
Artigos não
críticos: são aqueles que habitualmente não toca o paciente ou toca
somente em pele íntegra. Ex.:
termômetros, manguitos de pressão, estetoscópios, e uma infinidade de
artigos com baixíssimo
potencial de transmissão de infecção como mesas de cabeceira e camas.
Portanto, em
geral, dependendo do tipo de instrumento ou equipamento, limpeza ou
lavagem com detergente é
suficiente.
4. TRATAMENTO OU
REPROCESSAMENTO DE MATERIAIS
O reprocessamento
de artigos médico-hospitalares tem sido amplamente discutido e
estudado sob os aspectos
legais, éticos e de segurança, envolvendo profissionais de controle de
infecção, empresas
reprocessadoras, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária,
Ministério Público e usuários.
Dentro
desse contexto a ANVISA publicou em 11 de agosto de 2006 as seguintes resoluções:
-
RDC nº 156 - “que dispõe sobre o
registro, rotulagem e reprocessamento de produtos médicos,
e dá outras
providências;
-
RE nº 2605 - “que
estabelece a lista de produtos médicos enquadrados como de “uso único” proibidos de serem
reprocessados”
-
RE nº 2606 – “que
dispõe sobre as diretrizes para elaboração, validação e implantação de protocolos de
reprocessamento de produtos médicos e dá outras providências.
5. DESCONTAMINAÇÃO
PREVIA
Descontaminação prévia é o procedimento
utilizado em artigos contaminados por matéria
orgânica, tais
como sangue, pus, e demais secreções corpóreas, para destruição de microorganismo
patogênicos na forma vegetativa , antes de iniciar o processo de
limpeza, e tem por objetivo
proteger as pessoas que irão proceder à limpeza desses artigos.
O produto de
eleição para este procedimento são os detergentes enzimáticos,
produtos compostos
basicamente por enzimas, surfactantes e solubilizantes que,
combinados, removem a matéria orgânica
do material em curto período de tempo. Atuam em substratos protéicos, gorduras e
carboidratos que tendem a solubilizar- se e desprender- se dos
artigos.
Os detergentes
enzimáticos apresentam excelente ação de limpeza, mas não possuem atividade
bactericida ou bacteriostática Para realizar a diluição deve-se
atender as especificações de
cada marca comercial .
Para que tenham a
ação desejada os instrumentais devem ficar totalmente submersos na solução de
detergente enzimático, em recipiente plástico com tampa pelo tempo
determinado pelo fabricante. A
solução deve ser trocada diariamente.
Pode ser usada
lavadoras de ultra-som de baixa freqüência

NA PRÓXIMA EDIÇÃO,
ACOMPANHE A PARTE 2 (E ÚLTIMA),
QUE CONTÉM OS TÓPICOS:
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