Os
hábitos modernos estão baixando a qualidade de vida do brasileiro,
fazendo com que ele se apoie precocemente no sistema de seguridade
social. A conclusão faz parte do estudo Qualidade de Vida: Suas
Determinantes e sua Influência sobre a Seguridade Social,
divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que
analisou os hábitos da vida moderna, suas precárias condições de
trabalho, e como esses determinantes influenciam na seguridade social,
como o auxílio-doença e a aposentadoria por invalidez. Segundo o
estudo, o Brasil precisa buscar alternativas tanto de sistema
previdenciário como de hábitos cotidianos que permitam uma melhor
qualidade de vida do cidadão e um menor gasto da seguridade social,
principalmente da Previdência.
Neoplasmas e doenças crônicas
Ao
desagregar as causas de mortes e comparar os dados brasileiros com os
demais países selecionados, o Ipea observou que os neoplasmas, que
abrangem todos os tipos de câncer, e as doenças do sistema
cardiovascular e circulatório (angiologia e cardiologia) são os
responsáveis pela maior parte das mortes nesses países, em 2003,
encabeçado pelas doenças crônicas cardiovasculares
As
doenças crônicas como um todo - principalmente as cardiovasculares -
foram as grandes responsáveis pelas mortes no início do século 21, no
Brasil e nos demais países do Continente Americano e na Europa, também
abordados no estudo a título de comparação. Segundo projeção
apresentada no estudo do Ipea, há uma expectativa de que ocorram
elevações preocupantes dessas doenças em países como o Brasil e o
México, apesar de, nas próximas décadas, haver expectativa de queda em
alguns países europeus e na Argentina.
Doenças em 2030
As
projeções para 2030 apresentam um quadro diverso. A Espanha tem uma
projeção de queda de 0,58%, e o Chile, com projeção de aumento de
0,90%. Para o Ipea, esse cenário é considerado "relativamente
constante". Portugal apresenta expectativa de queda, enquanto o Brasil
apresenta uma projeção de aumento de mortes causadas por doenças
crônicas, passando dos atuais 72,1% para 75,8%.
Por
outro lado, ao focalizar a análise no Brasil no período entre 1979 e
2004, o Ipea verificou queda forte (57,12%) na incidência de doenças
transmissíveis e aumento na incidência de câncer (66,67%) e doenças do
sistema nervoso (40,01%).
Fatores comportamentais
Segundo
o Ipea, "a queda na incidência de doenças transmissíveis tende a estar
correlacionada ao aumento de saneamento básico, elevadas taxas de
vacinação encabeçadas por políticas públicas". Já as doenças do
sistema subcutâneo e conjuntivo, do sistema nervoso, do sistema
digestivo e as ligadas ao sistema endócrino-metabólico aumentaram pelo
menos 40,01% ao longo desses 25 anos.
Essas
doenças não transmissíveis fazem parte do grupo de doenças crônicas
não transmissíveis. Elas têm aumentado decorrente de diversos fatores,
principalmente os de natureza comportamental, como dietas,
sedentarismo, dependência química de tabaco, álcool e outras drogas.