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Editorial
Edição 151 - 07/03/2010
A mulher na Odontologia
O Dia Internacional da
Mulher, comemorado em 8 de março, se reveste de importância especial para a
Odontologia no Brasil. Em todo o País, as CDs ocupam 56% dos postos de
trabalho da profissão em 25 dos 27 estados da federação, conforme dados de
pesquisa recente denominada Perfil Atual e Tendências do CD Brasileiro,
promovida pelo Ministério da Saúde, Organização Pan-Americana de Saúde
(Opas) e Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo (Fousp). Dos
220 mil cirurgiões dentistas registrados no Conselho Federal de Odontologia,
123,2 mil são mulheres, apesar de que a distribuição desses profissionais
ainda seja desigual para todas as regiões.
Os números revelam uma
mudança forte no perfil dos odontólogos brasileiros. Até 1970, a presença
masculina dominava o mercado com 90% das ocupações. De lá para cá, as
mulheres saltaram dos miúdos 10% para mais da metade da categoria. Essa
mudança tem significado maior, na medida em que a presença feminina adquire
cada vez mais responsabilidades, não só como profissionais, mas como
mulheres, mães e até provedoras da família.
Outro aspecto que merece
atenção ao nos voltarmos para o profissionalismo feminino no Dia
Internacional da Mulher é o da sobrecarga de trabalho que elas mesmas se
impõem, por amor próprio em primeiro lugar e, secundariamente, pela posição
decorrente na sociedade ou comunidades a que pertencem. Por essa opção
profissional e de vida – como em muitas outras também – elas chamam para si
uma dupla e às vezes tripla responsabilidade como cidadã comum. Pela ordem,
cuidam, gerenciam e mantêm de tudo o que se relaciona com o seu trabalho,
dirigem seus lares e, muitas vezes, os próprios familiares; e, ainda,
estudam para se manter atualizadas na profissão, exigência fundamental para
a atividade do CD.
Há pesquisas que provam
que nada mudou com relação ao trabalho doméstico no que diz respeito à
distribuição dos afazeres entre homens e mulheres. Segundo o Instituto de
Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), essa realidade se encaixa no quadro que
exibe os arranjos familiares, onde mais mulheres passaram a ocupar o posto
de chefes da família e seus estudos já figuram como superiores aos dos
homens. Aqui também aparece de forma bem clara a sobrecarga de trabalho para
o lado feminino. E essa conseqüência, ainda não devidamente reequilibrada
nas condutas familiares, representa uma ameaça à saúde das mulheres, que
precisam e devem se manter atentas. Com relação a essa preocupação, as CDs
têm, uma vez mais, outra responsabilidade, na condição que ocupam de agentes
de saúde. E uma responsabilidade dupla - a de buscar para si uma vida
saudável e a de promover a saúde junto a pacientes e pessoas próximas.
Já existem comprovações
científicas, por suas evidências, que revelam o quanto a mulher moderna
passa por processos de estresses severos decorrentes de suas duplas e duras
jornadas de trabalho. Seja por distúrbios psicológicos, transtornos físicos
e até consumo exagerado de álcool, a conseqüência da sobrecarga sinaliza de
forma severa e pontual. Daí a importância de as mulheres se manterem
vigilantes.
Neste Dia Internacional da Mulher, o Jornal do Site
Odonto se associa às comemorações da importante data para a sociedade como
um todo e faz um cumprimento muito especial às CDs de todo o Brasil.
Parabéns!!
Os editores
Zaíra Barros e Joaquim
Lourenço
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