Ano VIII nº 120 -

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Respeito. É isto o que se quer

A sucessão de desacertos das autoridades brasileiras - aqui fala-se sem ideologias  - em episódios que, por terríveis, vão além da imaginação,  mostra que já passou da hora do brasileiro se indignar.

A galeria de horrores a que o povo tem sido obrigado a assistir – desde a inércia do governo em resolver questões de todos os tipos, passando por  declarações insensíveis e jocosas, à vergonha de não assumir suas responsabilidades – culminou na noite de quinta-feira, a 48 horas do maior acidente da aviação brasileira, com os gestos obscenos do assessor de Relações Internacionais da Presidência da República e seu assessor de imprensa.

Explica-se, para quem não viu o vídeo apresentado na TV Globo e à disposição em todos os noticiários eletrônicos na Internet: em seu gabinete, Garcia e o assessor assistiam o Jornal da Globo em que foi divulgado pela Infraero que o avião da TAM que explodiu em São Paulo, com 200 pessoas a bordo, tinha um defeito no reverso da turbina direita. A reação explícita de ambos, em comemoração ao fato de aparecer um culpado que não o governo para o acidente, foram gestos obscenos de vitória. Um, bateu a mão fechada sobre a outra espalmada, três vezes; o outro puxou os braços dobrados para trás, avançando a pélvis à frente. O que não esperavam é que os gestos fossem flagrados pelo lado de fora da janela do gabinete e transmitidas para o mundo.

A esta atitude desrespeitosa somam-se as espantosas palavras da ministra do Turismo (relaxa e goza), o confuso raciocínio do ministro da Fazenda (o apagão aéreo se deve ao aumento de renda da população), o pedido de paciência do vice-presidente, o medo do governo mostrar a cara em momentos como este, escondendo-se no silêncio obtuso de qualquer responsabilidade, apenas disfarçada em frases pomposas que não são levadas a sério por ninguém, menos ainda pelos ministros e subordinados.

Tanta tripudiação em cima do povo brasileiro exige um basta. Exige vergonha na cara dos que pensam que tudo podem. Exige responsabilidades.

Embora para as famílias das mais de 200 vítimas do maior acidente aéreo do País nada conforte, ainda assim exige-se uma palavra firme de solidariedade, que quatro dias após o acidente não veio.

As vaias da abertura do Pan exibiram, dias antes da última tragédia aérea,  o que o governo tem negado ver: a recomendada  “paciência” do cidadão está no fim; o governo, sim, ao “relaxar e gozar” é o responsável pelos transtornos, sofrimento e inestimável perda de vidas;  o desenvolvimento e o progresso brasileiros estão a anos luz de se tornar realidade ao alcance da população.

O povo brasileiro, com sua complacência e boa índole naturais, está cansado do circo que apresenta um triste e deplorável espetáculo sem fim. É ele que banca não só salários mas como também  representações,  viagens,  gastos exorbitantes dos que elegeu. Escândalos, denúncias, corrupção, caixa 2 e muito mais rolam nas barbas das autoridades, sem um pulso firme que lhes dê cabo.

Quantos outras tragédias, irresponsabilidades e desatinos serão necessários para que a seriedade se instale em todas as esferas e o respeito que merecemos venha para ficar?

O Jornal do Site Odonto, como veículo informativo, não poderia se furtar a reforçar a conscientização de seus leitores. Recomenda-se, também, a leitura de textos que analisam os fatos aqui enunciados. São indicados:

A ordem é morrer calado e ficar de luto em silêncio (clique aqui)
Reinaldo Azevedo

O que ocorreu não foi acidente, foi crime (clique aqui)
Francisco Daudt
 

Os editores

 

 

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