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PESQUISA&TECNOLOGIA
Edição 151 - 08/03/2010
Maioria das alergias
alimentares é mito, diz especialista
Cerca de 20% das pessoas
acreditam sofrer de alguma intolerância alimentar, mas apenas de 1% a 2%
realmente apresenta algum caso de alergia diagnosticada clinicamente. A
informação é da especialista em alergias da Universidade de Portsmouth,
Carina Venter, autora do livro Food Hypersensitivity: Diagnosing And
Managing Food Allergies And Intolerance (Hipersensibilidade Alimentar:
Diagnosticando e Administrando Alergias e Intolerância à Comida), à venda no
Brasil por encomenda.
Segundo declaração da
médica publicada no site Daily Mail, as restrições feitas sem acompanhamento
de um especialista podem levar a doenças de fato, pois quem julga ser
alérgico a algum ingrediente acaba cortando todo um grupo de alimentos de
sua dieta. "As implicações à saúde ao limitar a dieta desta maneira podem
ser muito piores do que alergias ou intolerâncias a certos alimentos, pois
são necessários apenas alguns anos para causar impacto a longo prazo",
disse.
Uma recente pesquisa
realizada nos Estados Unidos com garotas entre dez e 13 anos que alegavam
ter alergia à lactose mostrou que mais da metade delas não tinha problema
algum em digerir a substância. O que conquistaram com essa decisão foi
consumir quantidade menor de cálcio do que a recomendada diariamente,
comprometendo a saúde dos ossos, que estão em formação até os 18 anos. Leite
e derivados são algumas das melhores fontes de nutrientes que ajudam a
formar ossos saudáveis como cálcio, fósforo e proteínas.
A médica ataca
celebridades, como Victoria Beckham, que não consomem nenhum alimento
derivado do leite e ajudam a popularizar o mito das dietas com restrições, o
que estaria associado também com o desejo de alcançar ou manter a boa forma,
e não com um diagnóstico real de alergia.
Alergia ou
intolerância?
A reação alérgica a
algum alimento acontece quase que instantaneamente ao contato com o mesmo,
independentemente da quantidade. Erupções na pele, suor e dificuldades em
respirar são os sintomas mais comuns. Mas há também o risco de choque
anafilático. Isso acontece porque o corpo, ao identificar a substância tida
como perigosa, produz grandes quantidades de anticorpos.
Já quando se tem
intolerância a algum ingrediente as reações demoram mais a aparecer, e podem
levar horas ou dias para se manifestarem. Geralmente acontecem devido à
ausência de enzimas específicas necessárias para digestão do alimento. O
sintomas mais demorados dificultam a identificação de qual alimento ou
substância pode ter causado o desconforto e apenas uma consultoria com
especialista seguida pela análise de um diário de alimentação e de sintomas
poderão dar pistas do vilão. Confira os sintomas:
Lactose –
Sintomas de alergia: urticária, vermelhidão,
inchaço labial, respiração ofegante, coceira crônica, ânsias de vômito,
diarreia e dores de estômago agudas. Sintomas de intolerância: diarreia e
inchaço.
Trigo –
Sintomas de alergia: urticária, inchaço
facial, respiração ofegante, coceira crônica, vômitos, diarreia e dores de
estômago agudas. Sintomas de intolerância: juntas doloridas, dores de
estômago, inchaço e depressão.
Álcool –
Sintomas de alergia: palpitações cardíacas,
sensação de calor intenso e dores de cabeça lancinantes, cuja origem está na
falta de uma enzima que metaboliza o álcool. Sintomas de intolerância: Rubor
nas faces, espirros e congestão.
Frutos do mar –
Sintomas de alergia: Choque,
obstrução das vias respiratórias e perda de consciência. Segundo os médicos,
neste caso, as alergias tendem a ser bem específicas, como ao atum cru, mas
não ao alimento enlatado, ou ao salmão, por exemplo. Não existe intolerância
aos alimentos, segundo a medicina. Muitas vezes há confusão com intoxicação
devido ao consumo de alimentos crus ou mal conservados, o que pode causar
vermelhidão, erupções na pele e diarreia.
Fonte: UOL
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