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PROFISSÃO
Edição 151 - 01/03/2010

 

Cirurgião-dentista: uma carreira cada vez mais feminina

As mulheres são maioria entre os cirurgiões-dentistas do País, quadro que acompanha outras mudanças sociais e também pode gerar transformações na Odontologia. Este e outros dados estão no livro Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-dentista Brasileiro, lançado em fevereiro e escrito por três CDs mulheres


Ana Estela Haddad e Maria Celeste Morita

As mulheres hoje são maioria na Odontologia brasileira, representando 56,3% dos profissionais do País – percentual maior do que . Este é um dos dados levantados na pesquisa Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-dentista Brasileiro, que teve seus resultados consolidados apresentados em livro com o mesmo nome e que foi lançado em fevereiro deste ano.

Coincidentemente, o livro foi escrito por três cirurgiãs-dentistas: Ana Estela Haddad, diretora do Departamento de Gestão da Educação na Saúde, área do Ministério da Saúde responsável pelo estudo, Maria Celeste Morita, coordenadora da pesquisa e professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), e Maria Ercília de Araújo, coordenadora do Observatório de Recursos Humanos em Odontologia da Faculdade de Odontologia da USP (ObservaRHOdonto) e professora da instituição. A pesquisa também é uma iniciativa da Organização Pan-americana da Saúde (Opas) e contou com o apoio do Conselho Federal de Odontologia (CFO), Associação Brasileira de Odontologia (ABO Nacional), Área de Odontologia da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Associação Brasileira de Ensino Odontológico (Abeno) e Associação Paulista de Cirurgiões-dentistas (APCD).

Maior em número e força

O estudo também constatou que os homens só prevalecem na Odontologia nas faixas acima de 56 anos, mas o aumento do ingresso de mulheres na profissão deverá ser extensivo a estas outras faixas etárias dentro de alguns anos. Há 40 anos a profissão poderia ser considerada masculina, pois cerca de 90% dos profissionais eram homens. Segundo as pesquisadoras, a mudança neste perfil começou a ser observada desde o final dos anos 1990, acompanhando a maior escolarização da mulher no País – hoje, de maneira geral, ela tem maior tempo de escolaridade que o homem - e seu ingresso progressivo no ensino superior, sobretudo a partir dos anos 80. A maior presença feminina também é observada em outras áreas da saúde.

Para Maria Celeste Morita, a escolha desta carreira pela mulher também tem razões peculiares, “como a possibilidade de uma jornada de trabalho flexível, algum grau de mobilidade, com possibilidade de se deslocar para constituir família, e um relativo prestígio social da profissão”.

A pesquisadora ainda acrescenta que há diversos estudos dedicados a analisar causas e conseqüências dessa mudança e muita especulação é feita sobre qual é o impacto, se é que existe algum, da profissão estar mais feminina. “Fala-se muito da ausência das mulheres nas representações políticas e corporativas da categoria. Isso é o mesmo que ocorre com as demais mulheres brasileiras, que geralmente ainda estão submetidas a jornadas duplas ou triplas de trabalho ganham menos que seus pares masculinos.”

Sobre a mudança deste quadro, Maria Celeste completa: “Acredito que isso é só uma questão de tempo e haverá um maior equilíbrio interno na profissão. Ao mesmo tempo, reconheço que ainda há muito que fazer para promover a igualdade de oportunidades profissionais entre os dois sexos. Mas determinação, perseverança e coragem de romper barreiras aparentemente intransponíveis são características femininas”.

Consequências analisadas

No Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-dentista Brasileiro, foram analisados dois pontos essenciais em relação a esta mudança na profissão: quanto esse contingente maior de mulheres pode interferir no desequilíbrio regional e na oferta de especialistas. As autoras do livro ressaltam que esse crescimento tem maior ou menor grau de aceleração segundo os Estados e regiões brasileiras e, sejam responsáveis pela maior parte das transferências profissionais no País, onde há maior carência, as transferências femininas são minoria. “Parece haver diferenças na motivação das transferências que ocorrem em direção a centros que concentram empregos, como Distrito Federal, Rio de Janeiro e São Paulo, e aos locais que oferecem a possibilidade de melhor renda pela ausência de profissionais, Amazonas, Acre, Tocantins, entre outros”, explica Maria Celeste.

Merece atenção também as diferenças na escolha da especialidade entre homens e mulheres. A Odontopediatria, por exemplo, tem mais de 90% formado por mulheres, enquanto a Cirurgia, menos de 20%. “Se esta e outras tendências se perpetuarem, poderá haver escassez de certos especialistas em médio prazo”, ressalta a pesquisadora.

Entre as regiões brasileiras com maior percentual de mulheres cirurgiãs-dentistas, destaca-se Estados do Nordeste: Paraíba (67%), Sergipe (65%) e Alagoas (62%). Elas não são maioria em apenas dois Estados: Santa Catarina e Acre, em que as mulheres representam 45% dos profissionais.

Maior levantamento sobre o CD

O Perfil Atual e Tendências do Cirurgião-dentista Brasileiro traz um panorama amplo e completo sobre o exercício da Odontologia no País, traçado pelo cruzamento e interpretação de diferentes dados, que mostram, por exemplo, os Estados ou regiões onde há maior concentração ou carência de profissionais, que percentual atua no setor público ou é autônomo, renda média no grupo, entre outros.

O livro deverá servir de referência para a elaboração e implantação de políticas públicas voltadas para a saúde bucal da população e também para a formação, atividade clínica e mercado de trabalho do CD. “Como não tínhamos estudos e pesquisas em RH na Odontologia e as políticas públicas incluem esta área como importante na saúde, era necessário, então, conhecer melhor esta profissão como base para ações futuras. Agora podemos fazer mais perguntas em cima do que foi levantado”, disse Ana Estela, do Ministério da Saúde.

A pesquisadora Maria Celeste destaca o ineditismo e a grandeza da pesquisa. “Poucos países no mundo detém dados tão relevantes e fidedignos sobre o exercício do cirurgião-dentista em seu próprio território”. Ela também explica que, inicialmente, a publicação será distribuída para escolas de Odontologia, formuladores e gestores de políticas públicas e parceiros, mas há a intenção de disponibilizá-lo on-line em breve.

De acordo com o que foi levantado e com dados internacionais como os da Organização Mundial da Saúde, o Brasil conta com 19% dos cirurgiões-dentistas do mundo. São 219.575 profissionais ao todo. Apesar do grande número, a distribuição de profissionais segue a mesma desigualdade encontrada em outras áreas no Brasil. Desta forma, três Estados concentram 57% dos CDs: 33,08% estão em São Paulo, 12,19% em Minas Gerais e 11,95% no Rio de Janeiro.

A categoria também tem sua parcela estrangeira, representada por 1.605 CDs, dos quais 59,8% são da América do Sul, 17,5% da Europa e 6,3% da América Central, com maioria de bolivianos, portugueses e nicaragüenses, respectivamente. Outro dado interessante levantado é que 25% dos CDs brasileiros são especialistas, numa proporção maior que países como os Estados Unidos (21%), Reino Unido e Canadá (11%), Alemanha (7%) e França (4%). As áreas com mais especialistas no País são Ortodontia (11.778), Endodontia (9.120) e Odontopediatria (7.418).

Foi também verificado que 140 mil CDs, ou seja, 2/3 da categoria, trabalham como autônomos. Outros 59 mil profissionais trabalham no SUS, nas equipes do Programa Saúde da Família e nos Centros de Especialidades Odontológicas.  O Programa aparece como oportunidade do primeiro emprego, já que 34% dos seus 19.421 cirurgiões-dentistas têm entre 20 a 29 anos.

 

 

 

 

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