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PROFISSÃO
Edição 168 - 15/09/2011
Pesquisa analisa percepção pública da saúde bucal no SUS
Tese de doutorado defendida por Marco Antonio Manfredini na Faculdade de
Saúde Pública da Universidade de São Paulo (FSP-USP) trata do controle
social na área e dos entraves à promoção da saúde bucal
O acesso à assistência odontológica continua sendo um dos principais
problemas dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) na cidade de São
Paulo. Esse foi a conclusão da tese de doutorado defendida pelo
cirurgião-dentista Marco Antonio Manfredini, na Faculdade de Saúde Pública
da Universidade de São Paulo (FSP-USP), com o tema Saúde Bucal na
Perspectiva de Usuários do Sistema Único de Saúde na Cidade de São Paulo no
Início do Século XXI. O objetivo do trabalho foi analisar as representações
sociais sobre saúde bucal e o controle social entre lideranças da União de
Movimentos Populares de Saúde de São Paulo (UMPS).
Com base nas informações da pesquisa, Manfredini questiona se os cuidados em
saúde bucal são sentidos como necessidade por lideranças de movimentos
populares de saúde, e como elas lidam com o tema. O pesquisador identificou
como resultado que o processo saúde-doença foi reconhecido como socialmente
determinado. A associação da saúde bucal à saúde geral foi apontada como
necessidade, e a não identificação da saúde bucal como prioridade foi
atribuída à população, aos fatores econômicos, aos governos e à falta de
vinculação entre saúde bucal e saúde geral.
Saúde bucal e cidadania
O princípio da universalização na saúde bucal gerou discursos
contraditórios, com forte presença da ideia de que a assistência
odontológica deve ser dirigida para as crianças, com a presença de
cirurgiões-dentistas nas escolas. As lideranças apontaram, no trabalho, que
a assistência odontológica pública é insuficiente para garantir o acesso,
não é resolutiva, tem problemas de infraestrutura e dispõe de profissionais
que não atendem às exigências da comunidade, e que a organização da
população é condição necessária para a implantação e manutenção de serviços
assistenciais por parte do Estado. Manfredini aponta na tese defendida que
há um forte componente do conceito de saúde enquanto direito de cidadania, e
de que a luta política e social é um vetor para a organização de redes
assistenciais.
Sobre a assistência odontológica na cidade de São Paulo, o trabalho registra
que, entre 2000 e 2009, houve crescimento expressivo no número de
beneficiários de planos odontológicos, que se elevou de cerca de 660 mil
para aproximadamente 1,97 milhão, com a cobertura se expandindo de 6,3% para
17,9% da população paulistana. Por outro lado, ainda seria precário o acesso
aos serviços públicos. Os indicadores Cobertura de Primeira Consulta
Odontológica Pro gramática e Cobertura Populacional Potencial, publicados na
tese, registraram 3,8% e 8,2%, respectivamente, em 2009.
A pesquisa concluiu que as representações sociais das lideranças indicam sua
visão de mundo e de sua inserção social destacando-se a condição com que
conseguem influenciar, em algum grau, o processo de decisões sobre as
políticas públicas de interesse para a saúde. Ainda segundo a tese, o
capital social não se configura como referencial teórico suficientemente
potente para a compreensão das contradições relacionadas à saúde bucal na
cidade. Os serviços públicos odontológicos cobrem menos de 10% da população,
expande-se a cobertura dos planos odontológicos (em 18%) e se reproduz a
transformação dos cuidados odontológicos em mercadorias, acessíveis apenas
aos que podem comprá-la no mercado em saúde. |