Ano VII nº 122 -

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1º de Outubro: Dia Internacional do Idoso

Envelhecendo sem descuidar da saúde bucal

Na próxima segunda-feira (1º/10), mais de 18 milhões de brasileiros serão reverenciados pelo Dia Internacional do Idoso – um número que, graças ao aumento da expectativa de vida, tende a crescer nos próximos anos, podendo representar 13% da população do Brasil em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geometria e Estatística (IBGE). A pirâmide social do País está se invertendo, mas o comprometimento da saúde bucal pode prejudicar o envelhecimento do brasileiro, evidenciando que viver mais pode não significar viver melhor.

O último Levantamento das Condições de Saúde Bucal da População Brasileira, realizado pelo Ministério da Saúde com a colaboração da Associação Brasileira de Odontologia (ABO) entre 2002 e 2003, concluiu que o brasileiro com mais de 60 anos de idade já extraiu, em média, 26 dentes, sendo que três em cada quatro idosos não possuem nenhum dente funcional.

Para o odontogeriatra Dalton Costa, doutorando em Periodontia com Ênfase em Envelhecimento pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e consultor da ABO, os problemas, que vão além da falta de dentes – ainda segundo o Levantamento, menos de 8% dos idosos apresentam saúde periodontal –, evidenciam  falta de cuidado com a saúde bucal no decorrer da vida. “Além de uma conseqüência do fato de muitos idosos nunca terem ido a um consultório odontológico, os problemas são agravados pela falta de cuidados especiais no atendimento a pessoas com mais de 60 anos”, completa.

“Além da higienização diária, a visita regular ao cirurgião-dentista são fundamentais para a manutenção da saúde bucal. No consultório, a higienização é mais profunda, evitando doenças orais crônicas muito comuns nos idosos, como cáries de raiz, xerostomia (boca seca), bruxismo, lesões da mucosa oral, câncer oral, doenças periodontais”, explica Dalton Costa. O odontogeriatra completa: “Para chegar à terceira idade com dentes saudáveis é preciso praticar uma dieta à base de carnes, frutas, verduras, legumes, cereais e fibras, evitando-se doces e refrigerantes”.

Após os 40, uma doença degenerativa por década

A Odontogeriatria foi reconhecida como especialidade odontológica pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO) em 2001, compreendendo o “estudo dos fenômenos decorrentes do envelhecimento que também têm repercussão na boca e suas estruturas associadas, bem como a promoção de saúde, o diagnóstico, a prevenção e o tratamento de enfermidades bucais e do sistema estomatognático do idoso” (Resolução CFO-12/2001). Costa justifica a importância da especialidade explicando que, a partir dos 40 anos de idade, o ser humano adquire uma doença crônica degenerativa a cada década. “Estas doenças, como osteoporose, diabetes e cardiopatias, influem diretamente no tratamento odontológico e precisam ser levadas em consideração. Além disso, uma série de técnicas do tratamento odontológico precisa ser adaptada ao idoso, que tem mucosas mais sensíveis e finas, menor percepção de sabores, menos saliva e outras especificidades”.

Cuidados especiais: hidratação e higiene

A Odontogeriatria também envolve cuidados específicos e adaptados com o grupo. “Para evitar a desidratação da boca e diminuir a concentração de bactérias, é importante beber água durante todo o dia. Além disso, para evitar que os lábios fiquem ressequidos, pode-se usar manteiga de cacau”, orienta Dalton Costa. O odontogeriatra chama a atenção para cuidados que devem ser tomados com usuários de prótese dentária, com a retirada dela após casa refeição, para higiene da peça e da boca.

A higienização bucal do idoso parcial ou totalmente dependente também exige cuidados especiais. “É preciso que ele fique numa posição confortável, com a coluna reta, de maneira que sua cabeça seja facilmente segurada durante a limpeza. Quem não tem dentes deve utilizar gaze ou algodão embebido em água para a limpeza das mucosas, que deve ser feita após cada refeição e antes de dormir”.

Acessibilidade

Segundo o CFO, o Brasil tem cerca de 600 odontogeriatras em atividade, formados por sete instituições. Para Dalton Costa, os cuidados especiais com o idoso não devem ser exclusividades desses profissionais. “A grande maioria dos consultórios odontológicos não é montada para esse público, que precisa de pisos antiderrapantes, barras para apoio dos braços, rampas como alternativa às escadas para aqueles que se locomovem com cadeira de rodas”, lamenta o odontogeriatra. Ele conta que um colega ficou sem ação ao perceber que, após três horas de atendimento ininterrupto a um idoso, o paciente havia urinado na cadeira odontológica. “O profissional deve ter consciência de que o idoso precisa de cuidados especiais. Precisa, por exemplo, ir ao banheiro com mais freqüência, pois é comum possuir incontinência urinária. É uma sensibilidade que deve ser adquirida, é um dever de todos nós, que, um dia, seremos idosos”, defende Costa.

 

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