Saúde
Edição 149 -
10/01/2010
Estudo aponta falha na notificação de infecção
hospitalar
Apesar da melhora na notificação das infecções
hospitalares nos últimos anos, 18% das unidades do Estado não comunicaram
casos da doença em 2008. A conclusão está em um estudo feito pela Divisão
de Infecção Hospitalar do Estado de São Paulo, que analisa dados de
serviços públicos e privados.
O número de hospitais que informam as infecções
cresce desde 2004 e chegou a 669 - de um total de 816 - em 2008. Isso não
significa que os casos estejam aumentando - eles apenas não eram
comunicados. Só será possível falar em crescimento ou queda da infecção
hospitalar depois que um mesmo número de unidades for avaliado ao longo
dos anos. Segundo o estudo, o aumento da notificação é resultado de
capacitações para coleta de dados feitas pelo Centro de Vigilância
Epidemiológica.
A pesquisa indica que as taxas de infecção
cirúrgica notificadas ficaram abaixo do esperado, provavelmente pela
dificuldade dos hospitais em seguir pacientes operados e verificar se
desenvolveram o problema após a alta. Hospitais psiquiátricos e de longa
permanência foram os que menos notificaram. As maiores taxas de infecção
ocorreram nas cirurgias cardiológicas e neurológicas, provavelmente porque
os pacientes retornam às unidades com frequência após essas operações.
Segundo Renato Grinbaum, da Associação Paulista
de Estudos e Controle das Infecções Hospitalares, mesmo nos Estados Unidos
há dificuldades para acompanhar pacientes após cirurgias. "Aqui, além de
tudo, muitas vezes as pessoas não têm telefone, deixam endereços errados e
não respondem às cartas." Para Grinbaun, a melhor maneira de a população
checar se uma unidade controla as infecções é verificar um selo de
acreditação, dado por instituições independentes que analisam e validam os
processos internos.
Um estudo encomendado pelo Ministério Público
Estadual ao Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp)
mostrou que, entre 158 hospitais paulistas, 75% descumpriam itens
essenciais para evitar infecções. Faltavam lavatórios e esterilização de
materiais. A Secretaria de Saúde de São Paulo não quis comentar o estudo,
divulgado em dezembro.
Fonte: O Estado de S. Paulo