Saúde
Edição 149 -
10/01/2010
Serviço 0800 ajuda a identificar doenças raras
Com apenas dois anos, Matheus Almeida foi
internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital do Servidor
Estadual. Só conseguia respirar com a ajuda de aparelhos. Os antibióticos
não venciam a infecção que debilitava seu pequeno corpo e os médicos eram
incapazes de um diagnóstico.
Cansados de um esforço ineficaz, decidiram
solicitar ajuda para uma equipe especializada em doenças que poucos
conhecem, mesmo nas faculdades de Medicina. Ligaram para o 0800 do
Instituto de Genética e Erros Inatos do Metabolismo (Igeim), ligado à
Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
O telefone 0800 ajuda médicos do Brasil inteiro
a diagnosticar erros inatos do metabolismo, distúrbios hereditários que
afetam o funcionamento das células. “Mesmo nas melhores faculdades o
assunto só é tratado de raspão”, disse à reportagem do Uol, a geneticista
e idealizadora do projeto, Ana Maria Martins, que também leciona na
Unifesp. Como consequência, muitas pessoas em todo o País sofrem com um
mal cuja causa permanece desconhecida. Há cerca de 550 erros inatos do
metabolismo conhecidos. Existe tratamento para a metade deles. As doenças
atingem um a cada 2,5 mil nascidos vivos.
Em menos de 24 horas, o pediatra Marco
Silveira, do Igeim, contactou os médicos do Hospital do Servidor Estadual
para colher mais informações sobre Matheus. Anotou tudo cuidadosamente. Os
dados alimentaram a discussão de uma junta multidisciplinar reunida ao
redor de uma mesa coberta de tratados de medicina: os especialistas também
dependem da bibliografia quando o tema são erros genéticos raros. O grupo
decidiu sugerir um exame de sangue à equipe que cuidava de Matheus. O
exame demorou dez dias para ficar pronto. “Foram momentos de muita
ansiedade, pois meu filho ficava cada vez pior”, recordou a professora
Cristina Moraes, mãe de Matheus.
O resultado confirmou as suspeitas do grupo do
Igeim: Matheus tem mucopolissacaridose do tipo um (MPS-I). Cristina
recorda como a geneticista Ana Maria Martins explicou a doença: “imagine
uma cozinha cheia de louça suja e sem água”. O corpo de Matheus não produz
uma enzima necessária para eliminar sobras do metabolismo.
Já existe um tratamento para a MPS-I: uma
terapia baseada na reposição da enzima ausente. Não havia tempo a perder.
Silveira e Ana Maria foram até a UTI do Hospital do Servidor Estadual e
realizaram a primeira reposição enzimática com um remédio cedido pela
Associação Paulista de Mucopolissacaridoses. Também orientaram a equipe de
enfermagem do hospital que ainda não sabia como tratar a doença. Após a
segunda reposição, Matheus conseguiu respirar sozinho. Depois de um mês,
voltou para casa. Ana Maria, fundadora do Igeim, mostra com orgulho o
convite para o aniversário de três anos de Matheus.
Fonte: Uol