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Edição 153 - 22/05/2010

 

 

Como o tabagismo reduz as chances de uma mulher ser mãe?

Artigo científico publicado recentemente pela Sociedade Européia de Reprodução Humana e Embriologia na revista Reprodução Humana analisou como a obesidade, o tabagismo e o excesso de consumo de álcool podem afetar o processo reprodutivo dos casais – daqueles que concebem naturalmente e dos que contam com o apoio de procedimentos de reprodução humana assistida.

Tabagismo e fertilidade – O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando atraso da primeira gestação. O atraso na concepção se reflete numa gama de possíveis efeitos adversos na reprodução, como interferência na gametogênese ou na fertilização, dificuldade de implantação do óvulo concebido ou perda subclínica após implantação. “Estudos e pesquisas dos últimos anos apontam que o tabagismo materno influi mais decisivamente na fertilidade do casal do que o tabagismo paterno, o que significa que o sistema reprodutivo feminino é mais vulnerável ao tabagismo que o sistema masculino”, afirma o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.

Até algumas décadas atrás, acreditava-se que os efeitos da dependência do tabaco eram mais fortes nos homens. Mas à medida em que novas gerações de mulheres fumantes foram surgindo, foi verificado que as mulheres são igualmente ou mais suscetíveis aos malefícios do fumo devido a peculiaridades próprias do sexo, como a gestação e o uso da pílula anticoncepcional. “A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média dois anos antes) e dismenorreia”, afirma o ginecologista.

O risco de infarto do miocárdio, embolia pulmonar e tromboflebite em mulheres jovens que usam anticoncepcionais orais e fumam chega a ser 10 vezes maior do que o das mulheres que não fumam e usam este método de controle da natalidade. Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), o tabagismo é responsável por 40% dos óbitos nas mulheres com menos de 65 anos e por 10% das mortes por doença coronariana nas mulheres com mais de 65 anos de idade.

O tabagismo é considerado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) a principal causa de morte evitável em todo o mundo. Estima-se que um terço da população mundial adulta, isto é, 1,2 bilhões de pessoas (entre as quais, 200 milhões de mulheres), sejam fumantes. Pesquisas comprovam que aproximadamente 47% de toda a população masculina e 12% da população feminina no mundo fumam.

Como o fumo prejudica o bebê – Graves complicações na saúde feminina também podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. “Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais frequentemente quando a mulher grávida fuma”, diz o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias.

A gestante que fuma apresenta mais complicações durante o parto e têm o dobro de chances de ter um bebê de menor peso e menor comprimento, comparando-se com a grávida que não fuma. “Tais problemas se devem, principalmente, aos efeitos do monóxido de carbono e da nicotina exercidos sobre o feto, após a absorção pelo organismo materno”, explica o médico.

De acordo com dados do Inca, um único cigarro fumado por uma gestante é capaz de acelerar em poucos minutos, os batimentos cardíacos do feto, devido ao efeito da nicotina sobre o seu aparelho cardiovascular. Assim, é fácil imaginar a extensão dos danos causados ao feto, com o uso regular de cigarros pela gestante.

Os riscos para a gravidez, o parto e a criança não decorrem somente do hábito de fumar da mãe. Entre as mulheres que convivem com fumantes, principalmente seus maridos, há um risco 30% maior de desenvolver câncer de pulmão em relação àquelas cujos maridos não fumam. “Quando a gestante é obrigada a viver em ambiente poluído pelo cigarro, ela absorve as substâncias tóxicas da fumaça, que, pelo sangue, são repassadas para o feto”, informa Mathias.

Quando o companheiro fuma – A fertilidade masculina também é prejudicada pelo tabagismo. “O tabagismo masculino está associado à redução na qualidade do sêmen, incluindo concentração de espermatozóides, motilidade, morfologia e efeito potencial na função espermática, além das alterações nos níveis hormonais”, explica.

O tabagismo também pode causar uma diminuição da fertilidade por alterar os níveis hormonais séricos de testosterona e de estradiol e por provocar alteração no DNA dos espermatozóides. “Costumamos recomendar àqueles indivíduos que apresentam sêmen de qualidade marginal e história de infertilidade que deixem de fumar para que haja uma melhora da qualidade do sêmen com a interrupção do tabagismo”, recomenda Mathias.

Com informações da Clínica Gênesis

 

ACT lança estudo sobre ar em São Paulo
antes e depois da lei antifumo

A Aliança de Controle do Tabagismo (ACT), em parceria com a Johns Hopkins Bloomberg School of Public Health, dos Estados Unidos, realizou análise da nicotina presente no ar em estabelecimentos de São Paulo. Intitulado “Qualidade do ar em bares de São Paulo/Brasil antes e após a lei de ambientes fechados livres de tabaco”, o estudo quantifica níveis de nicotina no ar em bares e restaurantes da capital paulista e avalia o grau de exposição de trabalhadores e frequentadores à fumaça de tabaco.

O estudo foi realizado em 16 bares da região Oeste de São Paulo, sendo coletadas 72 amostras válidas. A primeira etapa de coleta de dados aconteceu de junho a julho de 2009, antes da vigência da lei antifumo paulista; a segunda etapa, de novembro a dezembro de 2009, com a lei já em vigor.

A nicotina no ar foi avaliada através de monitores passivos contendo um filtro, suspensos nos bares e lá mantidos pelo período de sete dias consecutivos. A nicotina no ar era então absorvida pelo filtro e sua quantidade medida através de análise laboratorial na Johns Hopkins. A concentração de nicotina é considerada um bom marcador da fumaça ambiental de tabaco pois pode ser facilmente identificada e quantificada, e é altamente específica, constituindo-se em medida objetiva de exposição ao fumo.

Observou-se uma redução média de 72% da nicotina no ar nos estabelecimentos pesquisados após a lei que proíbe o fumo em locais fechados em São Paulo. Em um dos bares, a redução chegou a 94%, e em sete dos 16 locais pesquisados (43,75%), a redução foi igual ou superior a 80%.

De acordo com Mônica Andreis, vice-diretora da ACT e coordenadora da pesquisa, os resultados evidenciam uma redução drástica dos níveis de nicotina no ar em bares de São Paulo após a adoção da lei antifumo:  “Isto indica uma significativa melhora da qualidade do ar nestes ambientes e consequentemente, uma diminuição do risco de exposição ao fumo passivo por freqüentadores e trabalhadores do local.”

 

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