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Saúde
Edição 173 - 18/01/2012
Luvas de
silicone: determinação da Anvisa põe em risco saúde do profissional

Além de apresentar qualidade inferior, o risco
de contaminação é muito
maior quando comparada com a luva de látex
A Agência Nacional de
Vigilância Sanitária (Anvisa) passou a permitir a utilização de
luvas de vinil para procedimentos não cirúrgicos na área da saúde,
determinação que coloca em risco os profissionais da área e também
pacientes. A luva de vinil não é recomendada para esta finalidade em
outros países, pois apresenta qualidade inferior e risco de
contaminação muito maior quando comparada à luva de látex.
Além disso, a RDC nº 55/2011, resolução da
Anvisa publicada recentemente, que entrará em vigor a partir de maio
de 2012, exclui as luvas isentas de látex, como as luvas de vinil e
de borracha sintética, do sistema de certificação compulsória do
Inmetro. Ou seja, estes modelos não passarão mais por avaliação de
qualidade, sendo comercializadas livremente no mercado nacional sem
comprovação de eficácia, diferentemente das luvas de látex, que
continuam tendo sua qualidade verificada a cada seis meses, conforme
disposto na Portaria nº 233 do Inmetro, de 30 de junho de 2008.
A diferença entre os dois tipos de luvas está na matéria-prima
utilizada, que confere diferentes características ao produto.
Enquanto as luvas de látex destacam-se pela resistência,
flexibilidade, elasticidade e conforto, as luvas de vinil são
fabricadas a partir de cloreto de polivinila (PVC), um material
plástico muito menos flexível, elástico e durável, e mais suscetível
a rompimentos e falhas, como microfuros. Outro risco da luva de
vinil é o fato de ela apresentar DEHP na sua composição, um
componente prejudicial ao organismo que pode ser transferido da luva
para o organismo e apresenta toxicidade, especialmente em meninos em
fase de desenvolvimento.
A Associação Brasileira de Importadores de
Luvas para Saúde (ABILS) observou um aumento na procura de luvas
sintéticas, como vinil, nitrilo e neoprene, devido à necessidade de
realização de procedimentos em pacientes alérgicos ao látex e também
pela identificação de reações alérgicas ao látex nos profissionais
de saúde.
As luvas de vinil já foram consideradas uma
alternativa interessante às luvas de látex. Porém, após diversos
estudos em relação à sua eficiência como barreira de proteção, ficou
comprovado que elas proporcionam segurança muito inferior e não
apresentam barreira microbiológica. Assim, a recomendação para casos
de hipersensibilidade é que as luvas de látex tradicionais sejam
substituídas por luvas de látex sem pó (Powder Free) e/ou luvas de
borracha sintética, como o nitrilo. Estas opções são regulamentadas
desde 2008, estando sujeitas à Certificação pelo Inmetro, atestando
eficácia e proteção. Em torno de 90% dos pacientes e profissionais
alérgicos ao látex não apresentam hipersensibilidade quando utilizam
luvas sem pó.
A ABILS e os fabricantes nacionais de luvas
de látex, preocupados com a qualidade da luva na área de saúde, são
contrários a essa resolução da Anvisa e desejam alertar os
profissionais sobre os riscos de optar pelas luvas de vinil, tanto
para a sua saúde quanto dos pacientes. Pergunta-se por que a Anvisa
está desconsiderando as estatísticas de falhas das luvas de vinil
apresentadas nos estudos científicos internacionais? Não há
justificativa plausível para que no Brasil haja diferentes critérios
de controle de qualidade das luvas que possuem a mesma finalidade de
uso.
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