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Prática de automedicação em casos
de dor de dente é comum
A
dor exerce impacto tão grande em uma pessoa que, muitas vezes,
leva à automedicação. Levando em consideração que a dor de dente é
uma das mais prevalentes entre a população e também uma das mais
incômodas, a pesquisadora Flávia Duarte e equipe da Faculdade de
Odontologia da Universidade do Estado de Pernambuco (UEPE)
resolveram avaliar os fatores associados à automedicação
relacionados à dor de dente, de modo a contribuir para a melhoria
da qualidade de vida da população.
Para tanto, os pesquisadores analisaram o nível de conhecimento
dos profissionais de farmácias de Recife (PE) sobre a
automedicação relacionada à dor de dente. Foram entrevistados 179
profissionais em 120 estabelecimentos visitados. Os dados foram
coletados através de questionário. De acordo com artigo publicado
na edição de abril de 2008 da revista Ciência & Saúde Coletiva,
“em países desenvolvidos, os rígidos controles estabelecidos pelas
agências reguladoras e o crescente envolvimento dos farmacêuticos
com orientação dos usuários de medicamentos tornam menos
problemática a prática da automedicação. Já no Brasil, de acordo
com a Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma),
cerca de 80 milhões de pessoas são adeptas da automedicação”.
Os
resultados mostram que 67% dos entrevistados atenderam pessoas que
relataram dor facial nos últimos seis meses, sendo que 91,6%
relataram dor de dente. Os especialistas observaram ainda que
83,7% dos homens e 73,3% das mulheres indicaram medicamentos sem
prescrição, e que os profissionais com 2º grau indicam mais
medicamentos sem prescrição para pacientes com dor de dente.
“Ficou evidenciado que o tempo de atividade no setor e a formação
do profissional são fatores que podem contribuir para o aumento da
automedicação, tendo sido demonstrado que quanto maior o tempo de
trabalho na área e menor a qualificação profissional, maior o
percentual de indicação de medicamentos sem prescrição”, afirmam
no artigo.
Segundo os pesquisadores, o impacto da dor de dente na utilização
de medicamentos reforça a necessidade de informar a população
sobre o uso adequado destes medicamentos. “Este trabalho
demonstrou a importância de serem planejadas ações de promoção de
saúde bucal que envolvam os profissionais da área de dispensação
de medicamentos, pois dada a grande falta de acesso aos serviços
odontológicos da população brasileira, principalmente entre os 20%
mais pobres e que estão na faixa etária de 20 a 49 anos, estes
profissionais podem se constituir em importantes agentes
promotores da saúde bucal”, ressaltam no artigo.
Fonte: Site Odontologia
Ed146: 16102009
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