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SAÚDE BUCAL
Edição 148 - 19/12/2009
Colesterol alto
dificulta cicatrização da mucosa bucal, conclui estudo
Pesquisa na Faculdade de Odontologia de Ribeirão Preto (FORP) da USP
concluiu que o colesterol alto também é um vilão para os tecidos da mucosa
bucal que, alterados, podem acarretar dificuldades no processo de
cicatrização. Alguns desses efeitos são progressivos, ou seja, se tornam
mais expressivos com o uso contínuo de alimentação com alto índice de
colesterol.
Segundo o autor do estudo, o biólogo Gilberto Silva, isso pode prejudicar um
tratamento odontológico que dependa de cirurgia, mas também no uso de
aparelhos ortodônticos, ou mesmo em tratamentos odontológicos de rotina. Se
o paciente precisar de uma raspagem, por exemplo, ele ficará mais exposto a
um sangramento pela dificuldade de cicatrização e com maior chance de
desenvolver uma infecção.
Riscos
desde a infância -
A obesidade, quando
observada nos primeiros anos de vida leva a um maior risco para altos
índices de colesterol, triglicérides e alterações cardiovasculares na vida
adulta. A partir daí, o pesquisador resolveu investigar os efeitos das fases
iniciais dessas alterações, ou seja, nas idades infantil e juvenil, sobre os
tecidos bucais e a capacidade de cicatrização. O trabalho procurou mostrar a
situação de crianças e adolescentes com sobrepeso, ou seja, aqueles com maus
hábitos alimentares, que não fazem exercício e que estão se tornando
bastante comuns na população em geral.
Pesquisa -
A pesquisa foi realizada
com ratos da raça Wistar, o mais utilizado pelos pesquisadores, pois a
cicatrização da pele desse animal é muito semelhante a cicatrização da
mucosa bucal do homem, segundo o pesquisador. Foi oferecida aos animais uma
ração preparada com 1% de aumento (em peso) de colesterol e mais 20% de óleo
de soja, por um período de 2 a 6 semanas, para avaliação dos tecidos bucais.
Levando-se em consideração a literatura, o aumento obtido nos níveis de
colesterol foi semelhante aos observados em humanos com sobrepeso, ou seja,
22% no colesterol total e 23% de aumento no LDL em média.
Cicatrização
- Foi analisada a morfologia da pele e também a língua do animal em quatro
regiões diferentes, além do palato mole, do duro e a gengiva. Todas as
avaliações dos animais tratados com a ração enriquecida com colesterol
apresentaram alterações, tanto no período inicial do processo de
cicatrização, quando ocorre a reação inflamatória, como no período final.
Durante a pesquisa foi observado que, mesmo no período inicial do aumento do
colesterol no organismo, duas semanas após o uso da ração enriquecida, já é
significativa a alteração no epitélio bucal e consequentemente no processo
de cicatrização. Além disso, as células são maiores e estão presentes em
menor número, o que indica que provavelmente ele está mais suscetível a
lesões.
Dislipidemia
- Segundo a orientadora do trabalho, professora Marilena Komesu, da FORP, a
literatura científica, só havia relatado até hoje a relação entre a variação
dos lipídios HDL, colesterol bom, e LDL, colesterol ruim, e infecções
bucais, mas nada sobre a dislipidemia, que é a presença elevada ou anormal
desses lipídios, e as alterações bucais. Ainda, segundo Marilena, as
alterações vasculares são comuns na dislipidemia e nesse caso, durante uma
cirurgia pode haver problema com pacientes com alterações de colesterol.
“Como na odontologia se trabalha com doenças bucais e lesão de mucosas é
necessário saber se o paciente não corre risco de danos maiores por conta do
colesterol”, afirmou a pesquisadora.
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