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SAÚDE BUCAL
Edição 151 - 01/03/2010
Crianças entre 3 e 4
anos são as que mais sofrem com erosão dentária
A erosão dentária
causada por ácidos gástricos ou presentes na dieta já atinge metade das
crianças em idade pré-escolar, revela pesquisa da Faculdade de Odontologia
(FO) da USP. O estudo da dentista Christiana Murakami aponta um maior número
de casos de erosão entre crianças com refluxo gastroesofágico e a ingestão
frequente de sucos ácidos e refrigerantes como indicador de risco para a
doença.
A pesquisa foi realizada
com 967 crianças entre 3 e 4 anos, com a dentição decídua (não definitiva,
conhecida como “dentes de leite”) completa, na cidade de Diadema (Grande São
Paulo). “Em 51,6% dos participantes do estudo já havia desgaste patológico
por erosão, sendo que a maioria das lesões erosivas encontrava-se em estágio
inicial, acometendo o esmalte dos dentes”, contou a dentista à assessoria de
comunicação da USP. “Trata-se de um número alarmante, devido a pouca idade
das crianças”.
De acordo com Christiana,
a erosão dentária ainda é pouco conhecida no Brasil. “Muitos dentistas não
sabem o diagnóstico preciso e o tratamento correto”, apontou. “A ocorrência
de erosão tem aumentado entre crianças e jovens, inclusive em idade
pré-escolar, associada à mudança de hábitos alimentares e a maior frequência
de distúrbios gastrointestinais”.
Por meio de entrevistas
com os pais, foram verificados os principais fatores associados à ocorrência
de erosão. “Entre os fatores intrínsecos, verificou-se maior número de casos
quando há refluxo gastroesofágico frequente relatado”, afirmou a dentista.
“Basta o refluxo chegar ao esôfago para alterar o pH salivar e a acidez
afetar os dentes”.
Ácidos
Os principais fatores extrínsecos associados à erosão identificados pela
pesquisa estão relacionados com a dieta. “O consumo de refrigerantes mais de
duas vezes ao dia e o consumo de sucos ácidos nos dois dias anteriores ao
levantamento mostram-se indicadores de risco da doença”, apontou Christiana.
“Até mesmo um suco de frutas naturais, espremidas na hora, expõe os dentes
aos malefícios dos ácidos”. O estudo faz parte da dissertação de mestrado da
dentista, defendida no último mês de dezembro e orientada pelo professor
Marcelo José Strazzeri Bönecker, da FO.
Os sucos
industrializados, muito consumidos pelos pré-escolares, apresentam maiores
riscos, pois também possuem ácidos que são adicionados durante a elaboração
do produto. “Muitos pais sabem que os refrigerantes fazem mal para os dentes
por causa do açúcar que causa a cárie, mas desconhecem os malefícios ácidos
contidos nos mesmos e nos sucos artificiais como os de caixinha, em pó ou
concentrados”, ressaltou a dentista. “Uma das medidas de prevenção indicadas
é restringir o consumo de bebidas ácidas e, quando for consumi-las, preferir
bebidas geladas e ingeri-las com o uso correto de um canudo, posicionado na
língua e não a frente dos dentes”.
Para a pesquisadora, os
resultados da pesquisa reforçam a necessidade do diagnóstico precoce na
prevenção da doença. “Como a erosão é um processo cumulativo, se for
detectado desgaste patológico, é possível alertar pais e educadores sobre os
riscos dos ácidos, especialmente aqueles presentes na dieta das crianças”.
Entre as providências
que podem ser tomadas, a dentista recomenda que as crianças não escovem os
dentes imediatamente após a ingestão de sucos ácidos e refrigerantes, e em
caso de vômito. “Como os ácidos ainda estão em contato com os dentes,
amolecendo o seu esmalte, o uso da escova provocará abrasão e desgastará
ainda mais o esmalte”, diz. “O ideal é esperar ao menos dez minutos e fazer
um bochecho com água ou enxaguatório bucal neutro antes da escovação”.
Fonte: Agência USP
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