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SAÚDE BUCAL
Edição 154 - 10/06/2010
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Risco de
aterosclerose cai com tratamento periodontal
Evidências científicas que
indicam uma perigosa relação entre a periodontite e o desenvolvimento da
aterosclerose foram confirmadas através de um trabalho da Escola de Enfermagem
de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (EERP-USP), com base em revisão
sistemática de nove publicações de pesquisas. Ficou claro que o tratamento
periodontal ajuda a controlar os riscos da aterosclerose, a qual se caracteriza
por um dos fatores mais importantes para a doença cardiovascular.
Segundo a Agência USP de
Notícias, a revisão foi feita para analisar a situação atual desses estudos nos
últimos 10 anos entre adultos, para colaborar com o trabalho focado na saúde
bucal. Os resultados constam da tese de doutorado intitulada “Periodontite e
aterosclerose: a base de evidências”, defendida em abril deste ano pela dentista
Adriana Paiva Camargo Saraiva, junto ao Programa de Enfermagem Fundamental da
EERP-USP. A periodontite tem prevalência de 50% em adultos.
Gorduras
fazem a ligação de risco
Para a pesquisadora, “os
fatores lipídicos, as gorduras, parecem fornecer os resultados que melhor
refletem a associação entre periodontite e aterosclerose. Em todos os trabalhos
que avaliaram esses marcadores foram relatadas a sua elevação na presença de
periodontite e redução após o tratamento periodontal”. Ficou claro também que
quanto maior o grau de severidade e extensão da periodontite apresentados pela
população pesquisada, mais evidentes foram as alterações locais e sistêmicas
relacionadas com a aterosclerose, como lesões na parede interna das artérias e
presença de compostos químicos indicadores de inflamação no sangue. “Os estudos
analisados mostraram que, embora as bactérias da periodontia tenham apresentado
sensibilidade ao antibiótico, sem o tratamento mecânico da periodontite a
antibioticoterapia não foi eficaz, nem para prevenir eventos cardiovasculares
recorrentes e nem para restabelecer a saúde periodontal”, ponderou Adriana
Paiva.
Cuidados
simples, boa diferença
A profa.
Eugênia Velludo Veiga, também da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto e
orientadora da pesquisa, alerta que é necessário cuidar da saúde bucal antes da
doença se estabelecer. Por sua vez, o prof. Mário Taba Júnior, da Periodontia do
Departamento de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Facial da Faculdade de
Odontologia de Ribeirão Preto (FORP), considerou os resultados desse trabalho de
extrema importância, porque alertam a comunidade para a associação de problemas
bucais com as condições sistêmicas de alta prevalência na população, como a
aterosclerose. Observou que “o tema não é novo, mas os estudos recentes de
renomados pesquisadores é que tem atraído a atenção de toda a comunidade
médica/odontológica, pois sugerem que cuidados simples e rotineiros, como a
escovação dentária e visitas ao dentista, podem ter grande impacto na saúde das
pessoas”.
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