Cientistas divergem se as pessoas podem fabricar novos neurônios –a neurogênese – depois que seus cérebros param de se desenvolver durante a adolescência. Estudos mostram resultados conflitantes. Na Espanha, novo estudo descobriu que mesmo pessoas que já passaram da meia-idade podem produzir células cerebrais frescas.

Pesquisadores esperam há tempos que a neurogênese possa ajudar a tratar distúrbios cerebrais como a depressão e o Alzheimer. No ano passado, um estudo publicado na Revista Nature, porém, freou essa esperança. O estudo relatava que o processo se esvairia na adolescência, contradizendo trabalhos anteriores que haviam encontrado neurônios recém-nascidos em pessoas mais velhas usando uma variedade de métodos.

O estudo da Nature do ano passado, por exemplo, procurou novos neurônios em 59 amostras de tecido cerebral humano, algumas das quais vieram de bancos cerebrais, onde as amostras são frequentemente imersas em paraformaldeído fixado por meses ou até anos. A neurocientista María Llorens-Martín do novo estudo afirma que com o tempo, o paraformaldeído forma ligações entre os componentes que compõem os neurônios, transformando as células em um gel. “Isso dificulta a ligação de anticorpos fluorescentes à proteína duplacortina (DCX), que muitos cientistas consideram o marcador ‘padrão ouro’ de neurônios imaturos”, diz ela.

O número de células que testam positivo para DCX no tecido cerebral diminui drasticamente após apenas 48 horas em um banho de paraformaldeído, relatam Llorens-Martín e seus colegas na Revista Nature Medicine. “Após seis meses, a detecção de novos neurônios é quase impossível”, afirmam.

“Neurônios jovens” – Porém, quando os pesquisadores usaram um tempo de fixação mais curto, de apenas 24 horas, para preservar o tecido cerebral doado de 13 adultos falecidos, variando entre 43 e 87 anos, eles encontraram dezenas de milhares de células positivas para DCX no giro denteado, uma porção de tecido que fica dentro do hipocampo e que codifica memórias de eventos. Estes neurônios apresentavam marcas de juventude, ou seja, eram lisos e rechonchudos, com ramos simples e subdesenvolvidos.

Na amostra do doador mais jovem, que morreu aos 43 anos, a equipe encontrou cerca de 42.000 neurônios imaturos por milímetro quadrado de tecido cerebral. Dos mais jovens aos mais antigos doadores, o número de novos neurônios aparentes diminuiu em 30% – uma tendência que se encaixa com estudos anteriores em humanos, mostrando que a neurogênese adulta diminui com a idade – mas não desaparece.

Fonte: https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2019/03/26/estudo-aponta-que-cerebro-continua-a-ganhar-novos-neuronios-ao-longo-da-vida.ghtml