Uso das TIC na Saúde: Saúde Digital e Telessaúde

por | abr 9, 2019 | Artigos | 0 Comentários

Os números do PMAQ – Programa Nacional de Melhoria do Acesso e da Qualidade da Atenção Básica – mostram que o uso das TIC na saúde ainda é pífio. A comunidade de profissionais da saúde não compreendeu o valor que as tecnologias atribuem aos processos em saúde e caminham para trás em sua adoção.

Duas são as vertentes de aplicação desta utilização: a educação e a assistência. Na educação já se havia aberto o espaço por causa da educação a distância, que adota tecnologias diversas para distribuir conteúdos. Mas a questão da assistência é a que mais impacta os números apresentados pelo PMAQ: a possibilidade de um profissional da rede pública pedir uma segunda opinião (teleconsultoria) a um especialista alocado em uma das Universidades públicas brasileiras (comunicação profissional de saúde/profissional de saúde da mesma categoria).

No Brasil não é permitida a teleconsulta (consulta médica remota, caracterizada pela comunicação direta profissional de saúde/paciente), mas esta modalidade de comunicação já tem sido analisada – vide a publicação da RESOLUÇÃO CFM nº 2.227/2018, que foi derrubada em poucos dias após a publicação. Apesar de ter sido derrubada (precisava realmente ser melhor redigida e delineada), o potencial para este tipo de modalidade de ação é alto: muitas operadoras já têm se mobilizado para contratar profissionais de saúde para o atendimento online. Mesmo grande hospitais têm visto benefícios em atender o paciente online até para encaminhá-lo adequadamente ao atendimento que melhor lhe cabe.

Mas esses benefícios só realmente se delinearão como benefícios quando a comunidade de profissionais de saúde souberem utilizar bem as TIC a favor da saúde de fato! Um bom começo é adotando-se as teleconsultorias dentro do Programa de Telessaúde Brasil Redes, que inclui as Universidades Públicas, como já dito anteriormente.

No âmbito odontológico, o primeiro Núcleo de Teleodontologia a se estruturar foi o da FOUSP, por projetos que apresentamos em atendimento a dois editais internos da Universidade, com foco em tornar as unidades independentes na produção de seu material didático (gerando os Centros de Produção Digital – CPDigi) e incentivando a adoção de ferramentas tecnológicas junto aos cursos de graduação e pós-graduação. O Núcleo de Teleodontologia se reporta diretamente ao Núcleo Técnico-Científico de Telessaúde da UNIFESP, produzindo conteúdos e capacitando teleconsultores em conjunto. Esta lógica de trabalho prepara alunos de graduação e de pós-graduação a adotarem a utilização racional das TIC na saúde, garantindo uma redução de custos futuro, porém com melhoria da qualidade de atenção à saúde, já que se compartilha conteúdos baseados nas melhores evidências em cada especialidade.

E, como vivemos na sociedade fluida atual, outros conceitos interagem e se sobrepõem neste momento: saúde digital, que não deixa de ser a possibilidade oferecida pela telessaúde, mas com adoção de um nome apenas diferente em sua sonoridade…

Mary Caroline Skelton Macedo

Mary Caroline Skelton Macedo

MMestre e Doutora em Endodontia pela FOUSP

Pós-Doutora em Teleodontologia pela FMUSP

Coordenadora do Complexo Edmir Matson (Centro de produção Digital FOUSP e Núcleo de Telessaúde/Teleodontologia FOUSP)

E-mail marycskelton@gmail.com