Pesquisadores da Faculdade de Medicina Baylor, no Texas (EUA), investigaram camundongos que apresentam alguns sintomas de autismo. Uma mutação genética pode levar os camundongos a evitar o contato com outros camundongos, por exemplo. Quando os cientistas investigaram o microbioma desses camundongos, observaram que os animais careciam de uma espécie comum de bactéria chamada Lactobacillus reuteri. Ao adicionar essa cepa de bactérias à alimentação deles, os animais voltaram a ser sociáveis.

Costa-Mattioli encontrou indícios de que a L. reuteri libera substâncias que enviam um sinal às terminações nervosas no intestino. O nervo remete esses sinais do intestino para o cérebro, onde alteram a produção de um hormônio que promove os elos sociais. Parece que outras espécies de micróbios também enviam sinais pelos nervos do intestino. Outras se comunicam com o cérebro por meio da corrente sanguínea.

O microbiólogo Sarkis Mazmanian, do California Institute of Technology, e seus colegas identificaram uma única cepa de bactérias que desencadeia o aparecimento de sintomas do mal de Parkinson nos camundongos.

Conforme os pesquisadores aprendem mais a respeito da influência do microbioma no cérebro, eles esperam que os médicos consigam usar essas informações para tratar distúrbios psiquiátricos e neurológicos.

Os pesquisadores precisam agora dar conta de um difícil número de equilibrismo. Seus experimentos foram promissores, mas eles não querem incentivar a ideia segundo a qual tratamentos com base no microbioma estejam próximos.

Porém, a bióloga computacional Katarzyna B. Hooks, da Universidade de Bordeaux, na França, alertou que em estudos como o de Costa-Mattioli é difícil determinar as causas de mudanças no comportamento.