Diversas entidades dedicadas à pesquisa, entre elas as internacionais John Hopkins (Estados Unidos), o Instituto Walter e Eliza Hall (Austrália), e as brasileiras USP, o Hospitais do Câncer AC Camargo e o de Barretos estão fazendo análises que comprovam novos testes capazes de detectar precocemente células cancerosas, inclusive com a descoberta, no Brasil, que a proteína moesina nas células do câncer bucal pode indicar tumores mais agressivos. Nos Estados Unidos foi desenvolvido um exame de sangue capaz de detectar 8 tipos diferentes de câncer, inclusive o de mama. Para o diretor médico Christof Sohn, do Hospital Universitário Feminino, este “é um procedimento muito menos invasivo do que uma biópsia”.

Pacientes com câncer de boca que apresentaram uma forte expressão da proteína moesina nas células cancerosas tiveram menor risco de morrer pelo câncer. A conclusão é de pesquisa da Faculdade de Odontologia de Bauru (FOB) da USP, em parceria com o Hospital do Câncer A. C. Camargo, em São Paulo, e com o Hospital do Câncer de Barretos (interior de São Paulo). A moesina pode ajudar na identificação de pacientes com pior prognóstico, ou seja, que apresentam tumores com maior agressividade e capacidade invasiva.

O estudo analisou o tipo mais frequente de câncer de boca, o carcinoma epidermoide ou espinocelular, tumor maligno que surge a partir das células da mucosa bucal. “Ele se caracteriza pela invasão dos tecidos por células atípicas e alteradas geneticamente da mucosa bucal”, relata a professora Denise Tostes Oliveira.

Incidência do HPV: de 25% a 80% em casos de câncer oral

Estudo do AC Camargo e da Unesp aponta que em casos de câncer de amídala a incidência de HPV cresceu de 25%, em relação aos casos registrados há 20 anos, para 80%.

Em outra pesquisa, comandada por Kowalski (Inca), os médicos detectaram que 32% dos casos de câncer de boca em jovens adultos eram em portadores do vírus. Em pacientes acima de 50 anos, a presença do vírus foi detectada em apenas 8%.

CancerSEEK – O exame de sangue CancerSEEK feito nos Estados Unidos pode detectar pequenas quantidades de ADN alterado e proteínas libertadas de células cancerígenas no sangue. Conhecido como uma biópsia líquida, o teste pode ser realizado ao mesmo tempo em que um exame de sangue de rotina. É um procedimento muito menos invasivo do que uma biópsia, em que uma agulha é inserida num tumor sólido para confirmar um diagnóstico de câncer.Segundo os pesquisadores, o teste é adequado para mulheres de qualquer idade, mas é mais indicado para aquelas com idades inferiores a 50 anos e para mulheres com risco familiar de câncer de mama.

Fontes: Julio Bernardes/Jornal USP/ FOB-USP/ Unesp/ AC Camargo/ AC Barretos/ Inca/ John  Hopkins (Estados Unidos)/ Instituto Walter e Eliza Hall.