Três antigos pedaços de chiclete feitos do alcatrão de uma casca de bétula mantiveram o DNA dos humanos ancestrais da Escandinávia que os mastigaram há mais de 10 mil anos atrás. Descobertas na década de 1990 em um sítio pré-histórico da costa sueca, conhecido como Huseby Klev, os cientistas só puderam desvendar os mistérios das gomas de mascar recentemente.

Em dezembro do ano passado, pesquisadores afirmaram ter encontrado DNA humano antigo nos restos do material frágil pela primeira vez. Agora, cinco meses depois, a equipe publicou um artigo atualizado sobre a descoberta, revisado por especialistas.

A equipe encontrou restos de saliva da Idade da Pedra nos pedaços de goma de mascar. A partir disso, os cientistas puderam sequenciar o DNA humano mais antigo localizado na área.

Ao que parece, cada pedaço da goma pertencia a um indivíduo: duas mulheres e um homem. O local onde os pedaços foram descobertos provavelmente era usado para fabricação de ferramentas, e o chiclete fazia parte do processo.

Segundo os pesquisadores, a casca de bétula – embora também tivesse fins recreativos – era usada como substância adesiva na tecnologia de ferramentas líticas do Paleolítico Médio em muitas partes da Eurásia, e como cimento para remendar e vedar madeira e vasos cerâmicos.

Combinando essas informações com dados genômicos, os cientistas chegaram à conclusão de que esses humanos primitivos eram na verdade mais geneticamente semelhantes aos caçadores-coletores ocidentais e indivíduos da Idade do Gelo da Europa.

“Este cenário de cultura e influxo genético na Escandinávia a partir de duas rotas foi proposto em estudos anteriores, e estas gomas de mascar antigas fornecem uma ligação emocionante entre as ferramentas e materiais utilizados e a genética humana”, explica um dos autores do estudo, Emrah Kirdök, da Universidade de Estocolmo (Suécia). Vários dos pedaços de alcatrão do sítio histórico têm impressões de dentes decíduos mascados por homens e mulheres.

Fonte: Natasha Romanzoti