28/5: Dia Internacional de Luta pela Mulher

O ato de fumar antecipa a menopausa e o processo de desgaste dos ossos relacionado a ela, podendo causar osteoporose e fraturas por fragilidade óssea. Por isso é necessário realizar um alerta à população sobre a prevenção de doenças majoritariamente femininas, como a osteoporose. A doença, que afeta cerca de 200 milhões de mulheres no mundo,  é doença silenciosa, e muitas pacientes só descobrem que sofrem com ela após a ocorrência de uma fratura, que acontece já em estágio avançado. Este fato contribui para um cenário alarmante, pois aproximadamente 24% dos pacientes que sofrem uma fratura osteoporótica de quadril (a mais grave e incapacitante das fraturas por fragilidade) vão a óbito durante o primeiro ano após a alta.

“Muitas mulheres deixam os exames preventivos de lado por focarem toda sua atenção na família ou na vida profissional”, afirma Ben-Hur Albergaria, ginecologista e vice-presidente da Comissão Nacional de Osteoporose da Febrasgo.

No caso da osteoporose, um dos principais fatores de risco que podem agravar seriamente o desenvolvimento da doença é o tabagismo. Isto acontece porque algumas substâncias presentes no cigarro inibem a produção dos osteoblastos, agentes responsáveis pelos processos de sintetização do cálcio e remodelação do osso. Os resultados desses fenômenos são ossos com menor densidade mineral, ou seja, mais porosos e frágeis.

A evidência mais forte dos efeitos negativos do tabagismo na saúde esquelética das mulheres vem de um estudo que concluiu que uma em cada oito fraturas de quadril – a mais grave e incapacitante das fraturas osteoporóticas – ocorre em decorrência do fumo. O estudo mostrou que as fumantes perdem massa óssea em taxas mais rápidas do que as não-fumantes e isso acarreta em uma menor densidade mineral óssea e maior risco de fratura à medida que se envelhece.

Um estudo feito no Brasil demonstrou que mulheres na pós-menopausa subestimam o risco das fraturas osteoporóticas; cerca de 80% das mulheres diagnosticadas com alto risco de fraturas pelo teste FRAX – ferramenta online que permite o cálculo de uma probabilidade de fratura em 10 anos – se consideravam como pacientes de baixo risco.

“As mulheres que fazem parte de algum grupo de risco devem estar atentas à realização de exames periódicos para viabilizar a detecção da osteoporose, para que seja possível identificar a terapia mais adequada para cada caso e prevenir as fraturas por fragilidade óssea de forma eficaz”, completa o especialista. Além disso, a adoção de um estilo de vida equilibrada é fundamental para a saúde dos ossos, a partir de uma dieta rica em cálcio e vitamina D; realização de exercícios físicos de forma regular; e evitando a ingestão excessiva de bebidas alcoólicas.