As doenças não transmissíveis (DNTs) são a principal causa de morte em todo o mundo e são amplamente evitáveis através de mudanças nos fatores de risco modificáveis. A médica Fatima Rodriguez, professora assistente na Divisão de Medicina Cardiovascular da Stanford University, juntamente com outros colaboradores, quantificaram o impacto global de três intervenções de saúde pública que, em conjunto, levariam a obter os maiores ganhos em redução da mortalidade por DNTs nos próximos 25 anos:

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Usando dados de uma miríade de fontes, incluindo pesquisas de saúde da população e Estimativas de Saúde Global da OMS, os investigadores previram mudanças na mortalidade entre 2015 e 2040.

De acordo com a análise, o aumento do tratamento da hipertensão arterial para 70% pode prolongar a vida de 39,4 milhões de pessoas, de acordo com as estimativas do estudo. Cortar a ingestão de sódio em 30% atrasaria mais 40 milhões de mortes, além de ajudar a diminuir a pressão alta, um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares. Finalmente, a eliminação da gordura trans artificial adiaria mais 14,8 milhões de mortes. As três intervenções poderiam atrasar 94,3 milhões de mortes durante 25 anos.

Os efeitos foram maiores para os homens do que para as mulheres e para os mais velhos (idade ≥ 70 anos) do que para os mais jovens. Os pesquisadores calcularam seus números analisando dados globais de vários estudos, bem como dados da Organização Mundial da Saúde. A África Sub-Saariana teria a maior proporção de mortes totais atrasadas, enquanto o sul da Ásia teria o maior impacto na eliminação da gordura trans.

Esta análise epidemiológica sugere que três simples intervenções na população poderiam diminuir drasticamente a carga global de DNTs. Para atingir este objetivo, os países de rendimento baixo e médio, em particular, necessitam de recursos e infraestruturas de saúde pública para aumentar o acesso à farmacoterapia para hipertensão arterial, o principal fator de risco modificável para as doenças cardiovasculares precoces. Como os autores salientam na discussão, as intervenções não só são viáveis, mas também extremamente rentáveis. O fruto de menor impacto pode ser a eliminação de gorduras trans por meio de legislação nacional, como tem sido feito em alguns países de alta renda, como os EUA.

O que está claro nesta e em outras análises semelhantes é que, para focar substancialmente na prevenção de doenças cardiovasculares, as intervenções devem ir além do nível individual de cada paciente, com um enfoque mais populacional.

É bom lembrar que, nos Estados Unidos, a hipertensão arterial é responsável por mais mortes relacionadas com doenças cardíacas e cerebrais do que qualquer outro fator de risco modificável, de acordo com as diretrizes de 2019 para a prevenção de doenças cardiovasculares emitidas pela AHA e peloAmerican College of Cardiology.

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http://portalms.saude.gov.br/noticias/agencia-saude/41554-brasil-apresenta-experiencia-no-enfrentamento-as-doencas-nao-transmissiveis

 FONTE:

Circulation, junho de 2019.