A previsão é que existam 45 milhões de pessoas vivendo globalmente com demência e a perspectiva é que este número dobre a cada 20 anos. Em 21 de setembro, Dia Mundial do Alzheimer, os especialistas chamam a atenção para o fato do Alzheimer ser o tipo mais frequente de demência e que é necessário informação e reeducação da sociedade e da família para cuidar melhor do paciente.

As demências habitualmente acometem a população idosa. Apenas no Brasil, onde hoje há mais de 29 milhões de pessoas acima dos 60 anos, de acordo com dados do IBGE, acredita-se que quase 2 milhões de pessoas têm demências, sendo que cerca de 40 a 60% delas são do tipo Alzheimer.

Mas esses dados ainda são subestimados e difíceis de serem exatos, devido muitas pessoas não receberem diagnóstico correto, ou mesmo não chegarem ao médico para um diagnóstico. Uma pessoa pode ter mais de um tipo de demência, como a de Alzheimer e, conjuntamente, uma doença vascular, esclarece o Dr. Paulo Canineu (foto), médico geriatra pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).

Diagnóstico – O especialista explica que o diagnóstico pode ser realizado através de exame clínico, neurológico e psiquiátrico, além de rastreamento neuropsicológico, exames de sangue e de imagem (Tomografia do Cérebro e Ressonância Magnética do Cérebro). A história clínica é fundamental realizada com o paciente e família ou cuidador. O diagnóstico está cada vez mais apurado e acontecendo cada vez mais cedo.

Memória recente –  “Os primeiros sintomas geralmente são de alterações da memória recente, que são progressivos. Também pode haver mudanças suaves de comportamento, ansiedade e depressão, delírios e alucinações, evoluindo lentamente para perda de nexo, incontinências fecal e urinária e imobilidade física, que pode levar a pessoa a ficar acamada”, detalha o Dr. Canineu, que também é professor de Gerontologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Reeducar a  família – A família e a sociedade precisam ser mais bem informadas e têm papel fundamental no cuidado ao idoso com a doença, defende o dr. Canineu. “Tratar uma pessoa que teve infarto, por exemplo, é diferente de tratar outra com Alzheimer. Enquanto a primeira depois de um ano pode melhorar, a segunda, terá uma demência progressiva, por mais precoce que seja o diagnóstico e o início do tratamento”, explica o médico geriatra.

Mesmo sendo progressiva, diz o especialista, a demência pode ter os sintomas amenizados com cuidados, como hábitos alimentares mais saudáveis, a prática regular de atividades físicas e cognitivas, e a realização de atividades sociais e de lazer.

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Fonte: Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG).